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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Lily Allen: irreverência, bom-humor e muita, mas muita polêmica

Lily Allen já fez topless por aí e deixou escapar suas partes íntimas durante o Festival de Cannes de 2008. Lily Allen já saiu bêbada e carregada das baladas tantas vezes que até já perdemos a conta. Lily Allen já teve cabelo preto, loiro, cor-de-rosa e até lilás. Lily Allen já namorou Ed Simons, do Chemical Brothers, engravidou e sofreu um aborto espontâneo. No entanto, essas polêmicas não foram as responsáveis por tornar a cantora britânica famosa. Já as polêmicas causadas pelas letras de suas músicas foram mais do que suficiente para fazer com que Lily se tornasse sinônimo de sucesso rapidamente.



Em 2007, a cantora estourou logo com o primeiro single do CD de estreia.
Smile, de Alright, Still, conquistou o público com o clipe divertido e a letra irreverente e se tornou praticamente o hino das meninas que já foram vítimas de homens canalhas - que não devem ser poucas. Em seguida, Lily se manteve nas paradas com a divertida LDN e, ao mesmo tempo, lançou a moda do, até então, improvável look tênis esportivo + vestido.

Dois anos e alguns escândalos depois de Alright, Still, ela voltou com It's not me, it's you. Mais elegante, mas não menos crítica. E só para dar um exemplo, um dos singles do álbum, Fuck you (Very much), pode ser considerado quase um movimento contra o preconceito. Lily ainda fez questão de gerar mais polêmica ao oferecê-la ao ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante um show. E, como não poderia ser diferente, o clipe da canção já conquistou o público com seus efeitos especiais e muita criatividade.

E se a veia crítica continuou a mesma, Lily também não fez grandes inovações musicais no segundo CD. As doses de ska e reggae, que deram ao primeiro álbum o tom de originalidade e bom-humor, aparecem mais discretas em It's not me, it's you. Mesmo assim, quem ouvi-lo não terá dificuldades em saber que o som descontraído e irreverente, que esconde um ar de certa revolta, pertence à espivetada e polêmica por natureza Lily Allen.

E para a felicidade dos fãs da cantora, que fez sua primeira - e, por enquanto, única - passagem pelo Brasil em novembro de 2007 durante Planeta Terra Festival, a segunda visita já está mais do que confirmada: nos dias 16 e 17 de setembro, ela faz shows em São Paulo e Rio de Janeiro. E se você ainda não conhece o som de Lily, o ComTatos preparou uma lista especial, que reúne 5 faixas de cada álbum da britânica. Divirta-se e prepare-se para o espetáculo:

Alright, Still

1. Knock'em out
2. Everything's just wonderful
3. Not Big
4. Shame for you
5. Littlest Things

It's not me, it's you

1. Not Fair
2. Back to the start
3. I could say
4. Never gonna happen
5. 22

Em tempo: A título de curiosidade, você pode conferir também o cover que Lily Allen fez para Womanizer, de Britney Spears.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Shakira: born in Colombia, made in USA

Shakira sempre foi exótica. Em 1996, quando as paradas musicais eram dominadas por mulheres loiras e atrevidas, como Madonna e Mariah Carey, cantando músicas em inglês e dançando coreografias ousadas, a cantora apareceu. Ainda menina - no auge de seus 19 anos, com cabelos encaracolados, volumosos e negros e dona de uma voz forte e única, a colombiana conquistou as paradas com o single Estoy Aqui, do terceiro CD, Pies Descalzos, e seus versos em espanhol quase impossíveis de reproduzir. Mas, atire a primeira pedra quem nunca arriscou uma versão, ainda que um pouco enrolada, do trecho "ahogándome entre fotos y cuadernos entre cosas y recuerdos que no puedo comprender"?



Após o estouro de Pies Descalzos e seus quatro megasucessos (Pies Descalzos, Sueños Blancos, Estoy Aqui, Un Poco de Amor e Dónde Estás Corazon?), o prestígio de Shakira apenas aumentou. Em 1998, a cantora, em versão mais madura e com dreads na cabeça, lançou o quarto álbum, batizado Dónde están los ladrones?. E os singles Ciega, Sordomuda e Ojos Así se encarregaram de fazer dela muito mais do que "a cantora de Estoy Aqui".

Em 2001, os cabelos negros, que anos atrás haviam ganhado dreads e mechas coloridas, deram lugar aos cachos loiríssimos, e a cantora resolveu apostar nas canções em inglês. Em Laundry Service, Shakira mostrou para quem ainda não conhecia suas habilidades com a dança e presentou os fãs com uma mistura impecável dos estilos latino e norte-americano. Não deu outra: a cantora virou sucesso absoluto, mais uma vez, com a dançante Whenever, Wherever.

Apesar do sucesso incontestável de seu primeiro álbum de músicas em inglês, Shakira não abandonou as origens. Quatro anos após Laundry Service, ela lançou Fijácion Oral e Oral Fixation, que contam com sucessos como Don't Bother, Hip's Don't Lie e o dueto com Alejandro Sanz, La Tortura. Já em 2007, Shakira assumiu de vez o lado sexy e fez bonito na parceria com Beyoncé no hit Beautiful Liar.

Shakira sempre foi exótica. Porém, hoje, o exótico se tornou comum. E, agora, Shakira parece ser só mais uma. No último mês de julho, quatro anos após o lançamento do último CD de inéditas, a cantora causou frisson com a estreia do clipe de She Wolf, faixa-título do novo álbum. Oversexy, ela apostou em um figurino mostra-não-mostra e em coreografias extremamente provocativas. Teve gente que achou que ela perdeu o estilo original "Shakira de ser" e se inspirou em cantoras como Britney Spears e Lady Gaga para continuar fazendo sucesso. Verdade ou mentira, fato é que She Wolf tem tudo para ser hit e manter a cantora de onde ela jamais saiu desde Estoy Aqui: no topo dos paradas.

Qual momento de Shakira você prefere?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O diário de uma leitora de girlie books

“Eu sou descendente de japoneses e, por isso, todo mundo sempre achou que eu era nerd. O que está bem longe de ser verdade. Quero dizer, nunca dei trabalho na escola, mas também nunca fui a primeira aluna da sala. E assim eu continuei até chegar à faculdade, onde lia poucos dos livros e textos que os professores mandavam. O que não é exatamente uma boa idéia para uma estudante de jornalismo, mas, pra ser sincera, a leitura nunca foi um hábito para mim. Surpreendentemente, isso mudou logo no primeiro – quase segundo – ano da faculdade, quando, um tanto contrariada, resolvi acompanhar meu amigo à livraria depois da aula. Pouco empolgada, dei uma olhada nos livros em geral, até que um me chamou a atenção: era o primeiro volume da série O Diário da Princesa. Confesso que foi a capa cor-de-rosa, com uma coroa e um par de coturnos estampados, que me convenceu de que comprar o livro seria uma boa ideia. Porém, alguns dias depois, isso já não importaria mais porque a leitura virou vício e eu me tornei uma leitora assídua dos, batizados por mim, Girlie Books.”

É mais ou menos assim que autoras de livros considerados romances para meninas escrevem – é claro que minha tentativa não chega nem aos pés dos originais. E, exatamente por ser um retrato tão realista da vida da maioria das mulheres/meninas, é que as autoras do gênero não costumam ter o reconhecimento que merecem. E em vez disso, seus livros, algumas vezes, são tachados de “bobinhos” por quem nunca pegou um exemplar para ler nem sequer a sinopse. A Livraria Saraiva não me deixa mentir, já que coloca livros da coleção para Jovens adultos/Adultos na sessão de Literatura Infanto-Juvenil.

No entanto, desde que os best-sellers de Helen Fielding e Meg Cabot, O Diário de Bridget Jones e O Diário da Princesa, respectivamente, viraram sucesso no cinema em 2001, o preconceito com os "girlie books" está diminuindo. E provas não faltam. Em 2005, foi a vez de A Irmandade das Calças Viajantes, de Ann Brashares, invadir as telonas e, para completar, esse ano, chegou aos cinemas a versão cinematográfica de Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, de Sophie Kinsella. Isso tudo para não citar a febre que Sthephanie Meyer causou mundo afora com o mais do que bem-sucedido Crepúsculo. Nem mesmo a televisão ficou imune ao sucesso dessas autoras já que, desde 2007, o livro de Cecily von Ziegesar, Gossip Girl, é seriado de sucesso na Warner Channel.

Por que ler?

Um dos segredos para o sucesso desses livros é que, ao lê-los, sentimos que estamos folheando páginas da nossa própria vida. Afinal, as personagens principais não poderiam ter mais coisas em comum com a maioria das mulheres/meninas da vida real: são sonhadoras, consumistas, vivem se metendo em encrenca, mentem de vez em quando, têm inimigas, morrem de ciúmes, não são populares, pagam micos e, claro, sonham em encontrar o príncipe encantado.

Além disso, são histórias cheias de humor e que podem acontecer com qualquer uma de nós a qualquer momento. Os diálogos, sempre divertidos e perspicazes, são capazes de arrancar gargalhadas de verdade, assim como também têm o poder de nos fazer manchar as páginas do livro com lágrimas teimosas. É verdade que Meg Cabot, Sophie Kinsella, Helen Fielding, Ann Brashares, Gemma Townley, Cecily von Ziegesar e todas as outras autoras que se dedicam à árdua tarefa de escrever "girlie books" de sucesso não são nenhum Gay Talese ou Truman Capote da vida, mas quem disse que não podem ser garantia de uma ótima leitura?

Must read

1. Meg Cabot
2. Sophie Kinsella
3. Gemma Townley
4. Ann Brashares
5. Sarah Mason

Em tempo: O décimo e último volume da série O Diário da Princesa, intitulado Princesa para sempre, chega às livrarias brasileiras no dia 3 de agosto.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O novo de novo

Não demorou muito tempo, depois que apareceu vestida de colegial cantando Baby One More Time, para que Britney Spears fosse intitulada a Princesinha do Pop. Ou a Nova Madonna, em outras palavras. O mesmo aconteceu com Justin Timberlake, assim que deixou a boyband N’sync para dançar e cantar em carreira solo e ser, para muitos, o Novo Michael Jackson.

A mídia e, muitas vezes, os próprios fãs dos “novos-alguém” gostam desse tipo de comparação e não perdem a chance de rotular as bandas e cantores que aparecem. E exemplos não faltam. Quando os britânicos do Oasis estouraram com a música Wonderwall, muitos disseram que eles eram o Novo Beatles. Recentemente, é o Mcfly que tem sido comparado aos reis do yeah, yeah, yeah. Janis Joplin também ganhou sua versão moderna, que atende pelo nome de Joss Stone.

Nem mesmo o universo grunge ficou isento das comparações. A mais comum tem como protagonistas o Pearl Jam e o Stone Temple Pilots em começo de carreira – na época do lançamento de Core, o primeiro álbum da banda de Scott Weiland. Até Amy Winehouse, que tem apenas dois CDs lançados – Frank e Back to Black – já ganhou novas “versões”! São elas a inglesa Adele, que fez sucesso com a baladinha Chasing Pavements, e a galesa Duffy, que conquistou o público e as paradas com a dançante Mercy.

Aqui no Brasil, as comparações ficam ainda mais forçadas. Fãs assumidos de Weezer, os barbudos do Los Hermanos já foram comparados à banda norte-americana. Já no caso da garota prodígio Mallu Magalhães, ela mesma confessou que se inspira em mestres como Bob Dylan e Johnny Cash para compor suas canções. Graças a essa afirmação, a cantora ganhou o apelido, muitas vezes em tom de ironia, de “Bob Dylan de saia”. Mas a verdade é que a música de Mallu faz o mesmo estilo do som da francesa Soko. Essa, sim, é uma comparação viável. Ah, também tem quem considere Legião Urbana a versão nacional de Smiths. Será?

E além de todos os já citados, ainda tem quem considere The Killers o Novo U2, gente que compara Coldplay e Radiohead, e pessoas que acham que Jonas Brothers é a versão do Hanson nos anos 2000. E poderíamos ficar o resto do ano fazendo comparações musicais...

Mas, agora é sua vez de opinar: esse tipo de comparação é exagero ou faz sentido?