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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

De olho neles

Feliz ano novo atrasadíssimo, portanto, não posso perder muito tempo, e vamos que vamos direto ao que interessa. Nesse início de ano, e de trabalho, vou começar a falar de alguns roteiristas que fizeram com que certos personagens famosos se tornassem o que são hoje, rentáveis, dando lucros enormes e tudo o mais. Portanto, olho neles nesse ano, pois o que escrevem sempre darão bom caldo.


Kurt Busiek


E por que não começar falando de uma lenda viva. A fera se chama Kurt Busiek. Esse cara roteirizou grandes clássicos, como “Marvels” e “Superman - Identidade secreta”. Ele também roteirizou ótimas aventuras do Conan, em sua passagem pela Dark Horse.

Kurt sabe tudo e, atualmente, está na DC, roteirizando a Action Comics - principal revista do Superman. Se houver alguma história escrita por ele esse ano, pode comprar, pois é sinônimo de bom divertimento.


Grant Morrison

Esse é o homem que leva a DC nas costas juntamente com Geoff Johns. Escreveu o clássico “Asilo Arkhan”, (a passada de mão do Coringa na bunda do Batman já fala por si só), como também “Grandes Astros Superman”, um pequeno clássico.

Atualmente é o cara que roteiriza as principais histórias na DC, pode comprar suas histórias que é garantia de pura diversão.


Frank Miller

Atualmente está vivendo a carreira de cinema, que cá para nós, não é a sua praia, mas o cara já escreveu vários clássicos, entre eles o grande “O Cavaleiro das Trevas”, “Ronin”, e a “Queda de Murdock”. Inspirado, quando escreve, sabe tudo. É garantia de boas histórias, faz tempo que não escreve alguma coisa que preste, mas tem muito crédito.

Geoff Johns

O cara que leva a DC nas costas junto com Grant Morrison e revitalizou alguns personagens esquecidos, como os vilões do Flash. Também revitalizou o personagem Lanterna Verde, que até terá a sua própria adaptação ao cinema. É o autor da série “Crise Infinita”. Também auxiliou nada mais nada menos que Richard Donner em roteirizar algumas histórias do Superman para DC. Esse é o cara.


Garth Ennis

O roteirista mais insano da atualidade. Escreveu “Hellblazer”, que já mandou um recado a que veio. Também escreveu a melhor série para adultos do “Punisher”(Justiceiro), seu melhor personagem. É garantia de histórias sangrentas, insanas e talentosas. Olho nele esse ano.

No mais, poderia falar de outros, a lista seria comprida, mas não vou falar de outros roteiristas da Marvel. Com a bagunça que fizeram com o personagem símbolo da editora, O Homem Aranha, eles não merecem muito crédito. E esses roteiristas que aqui descrevo são os mais promissores, raramente fazem bobagem e são garantia de boas histórias e diversão garantida.

Boa leitura.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Vida de gato

Texto de Carlos Alberto

Os gatos sempre estiveram na moda. Desde o Egito antigo eles vêm dominando o imaginário popular, sendo alçados a serem azarados pelo grande Edgar Alan Poe em seu famoso conto sobre um gato preto. Há ainda a famosa peça Os Saltimbancos, que é cultuada e remontada até hoje.


E, como é sabido por todo mundo que cultua quadrinhos ou desenho animado, muitos são os personagens ilustres que se eternizaram na memória popular, figurando como protagonistas nas mais diversas lendas ou histórias. Além disso, as HQs não se furtaram ao domínio incandescente destes tão conhecidos felinos. Diante de muitos podemos citar O Gato Félix;, o Frajola da dupla com o Piu Piu; o grande Tom da mais famosa dupla com o não menos famoso Jerry; o Manda Chuva e o lendário Gato de Botas, hoje divertidamente representado na cinessérie Shrek, entre muitos outros.


Mas, nessa oportunidade vou falar do mais chato, preguiço e carismático membro desta elogiosa estirpe: o Garfield, cuja primeira tira foi publicada em 1978, mais precisamente em 19 de junho. Portanto, já faz mais de 31 anos que esse felino tarado por lasanha vem deliciando os seus fãs com os mais diversos comentários mordazes dos quais se tem notícia.


Garfield estrela suas tirinhas em mais de 2.500 jornais por volta deste mundo, perdendo apenas para a famosa série Peanuts (Snoopy, um cachorro, quem diria). Seus ótimos coadjuvantes são Odie, um cão muito burro, porém carismático, e Jon Arbuckle, um cartunista, que é o dono dos dois.


O gato laranja é uma criação de Jim Davis, que inspirou-se no nome de seu avô James Garfield Davis, o qual teve seu nome em homenagem ao presidente americano James Garfield. Em suas primeiras histórias Garfield tinha traços bem disformes, grandes bochechas e olhos desproporcionalmente pequenos. Posteriormente, Jim Davis redesenhou Garfield, com olhos ovais e barriga menor, dando como justificativa ridícula uma dieta forçada.


Sua principal característica talvez seja a preguiça, ou a tara por lasanhas, mas tem um prazer inenarrável em chutar o Odie; arrotar; caçar pássaros e carteiros ( o que já gerou diversas tiras lendárias); detestar caçar ratos e, talvez sua maior influência - o ódio mortal contra a segunda-feira, mesmo sabendo que nasceu em uma.


As ironias e críticas mordazes feitas por um gato que age como ser humano e encara problemas do cotidiano, poderiam servir de inspiração para a famosa série televisa dos Simpsons, que está comemorando mais de 20 anos de programação.


O sucesso de Garfiled é tanto que, entre muitas derivações do personagem estão uma série televisa criada em 1982 e produzida até 1995 e a adaptação da história para o cinema em 2004, com direito à continuação em 2006. Assim, com essa vida fácil e bensucedida, quem duvida que o bichano não viverá por mais 7 vidas?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quadrinhos Marginais – 40 anos de muitas glórias

De 21 de outubro de 2009 até 28 de fevereiro de 2010 ocorre a mostra comemorativa dos 40 anos dos quadrinhos marginais. O evento teve em sua inauguração, no dia 17/10, uma palestra significativa com a presença de João Gualberto Costa (Gual); do cartunista Marcatti; Will (Quarto mundo) - e Tiago Judas (Sociedade Radioativa), que na oportunidade descreveram como foi o desenvolvimento das obras underground no Brasil, traçando um paralelo com o resto do mundo e a sua influência e representatividade no Brasil.

Para Will, do Quarto Mundo, um coletivo de quadrinistas independentes, “seria ótimo se o autor ficasse só desenhando. Mas, atualmente, você tem que entender do processo de impressão e fazer a sua revista na unha. Ir atrás de patrocínio, gráfica e distribuição.” Ele explica que o Quarto Mundo é um coletivo de autores que se auto-produzem, primando para manter a diversidade de cada um preservada. “O independente não é só uma necessidade é mas do que isso, é um fundamento.”, afirma.

Marcatti completa que o Brasil pode não ter volume de publicação, mas tem diversidade de autores e uma produção de HQ extremamente criativa. “Se tomarmos as rédeas da produção, nos tornaremos vitrine”, diz o quadrinista.

“O bom da cena independente é que as pessoas não se copiam. Elas seguem a própria criatividade. E isso só tem a somar para a diversidade do quadrinho brasileiro”, conclui Will.

Na exposição, há diversas imagens, sendo algumas marcantes no mundo do quadrinho marginal, exibindo-se capas, páginas internas, heróis e anti-heróis, balões, vinhetas, traços famosos e presentes nas mais diversas revistas, como a Boca, Balão, Lodo, Capa, Meia de Seda, Papagaio, As Aventuras de Robert Crumb, Freak, Zap (Acervo da Gibiteca Henfil).

Os quadrinhos marginais começaram a ser publicados nos Estados Unidos no final dos anos 60, tendo a revista Zap Comix, como marco inicial, sendo esta obra publicada e editada por nada mais, nada menos, do que o grande e lendário Robert Crumb. (Aliás, Robert está com uma nova obra a respeito do antigo testamento, mais precisamente sobre o Éden. O material está, surpreendentemente, entre as mais vendidas revistas de HQs nos Estados Unidos, no mês de outubro de 2009.)

Nos anos 70, os quadrinhos marginais tiveram enorme destaque no Brasil, uma vez que na época, diante da ditadura militar que governava o País, eram as referidas revistas o principal crítico aos desmandos o qual eram expostos o público. Quem não se lembra de Henfil, com seus marcantes personagens, como o Fradin, que criticava, de forma corajosa os poderosos que governavam o País?!

Já nos anos 80 e 90, os quadrinhos marginais brasileiros se tornaram referência tanto pela sua criatividade, como pelo seu censo crítico, sendo cultuados, e, por que não copiados por outros ramos dos quadrinhos. Não é por demais dizer que todos os elogios são todos merecidos, portanto, vida longa à marginalidade.

Muitos foram os talentos revelados pelos quadrinhos marginais, artistas importantes, gente graúda como o Laerte, Mutarelli, Angeli, os irmãos Caruso, dentre muito outros. Sua importância para o desenvolvimento dos quadrinhos nacionais é essencial. Portanto, uma visita à mostra, para os apaixonados pelos quadrinhos, é sem dúvida missão obrigatória para o próximo fim de semana livre.


*P.S: Texto escrito por Carlos Alberto e Nathalya Buracoff em visita à Gibiteca Henfil no centro Cultural São Paulo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Por trás dos óculos

Arnaldo Angeli Filho, o famosíssimo Angeli, nasceu em São Paulo, em 31 de agosto de 1956, e é um dos mais conhecidos chargistas brasileiros e, por conseqüência, um dos maiores ícones das histórias em quadrinhos nacionais. Ou vocês acham que Maurício de Sousa reinava sozinho, em berço esplêndido? Ledo engano.

Angeli, que, na minha humilde opinião, pode ser considerado o “Michael Jackson” dos quadrinhos nacionais, começou a sua brilhante trajetória desde muito cedo, mais precisamente, a
partir dos 14 anos, na revista Senhor, além de colaborar com diversos fanzines. A partir de 1973 foi contratado pelo jornal Folha de São Paulo, onde até hoje publica suas charges que turvam a cabeça dos políticos brasileiros, com suas críticas ácidas e mordazes.
Ele é criador de uma gama de personagens carismáticos, desenvolvidos a partir dos anos 80, como o grande esquerdista Meia Oito e Nanico, o seu parceiro homossexual enrustido (vixe...), a lendária Rê Bordosa, os Skrotinhos, Wood & Stock, Bibelô, Walter Ego ( esse, o meu favorito), Osgarmo, Los Três Amigos e o punk Bob Cuspe.
Ele mesmo se tornou sua própria criatura, nas tiras conhecidas como "Angeli em crise", uma espécie de visão ácida da vida cotidiana que cerca uma pessoa comum e ao mesmo tempo anárquica.


Publicou pela Circo Editorial, em 1983, a revista "Chiclete com Banana", um enorme sucesso editorial, cuja a tiragem já beirou os 110.000, exemplares e contava com a colaboração de gente do quilate de Luiz Gê, Glauco, Roberto Paiva, Glauco Mattoso e Laerte Coutinho. Hoje, A Chiclete com Banana é considerada, pela maioria dos críticos, uma das mais importantes publicações de quadrinhos adultos editadas no Brasil.


As tiras criadas por Angeli já foram publicadas na Alemanha, França, Itália, Espanha e Argentina, tendo tido enorme sucesso em Portugal, e ganharam até uma compilação de seu trabalho, lançada pela editora Devir em 2000 ( mesmo ano em que presenciou a estreia de uma série de animação com os seus personagens em uma co-produção da TV Cultura com a produtora portuguesa Animanostra).


Angeli também
trabalhou na Rede Globo, como redator do programa infantil TV Colosso (1993-1996). Na mesma rede, entre 1995 a 2005, fez desenhos de 5 segundos, que apareciam nos intervalos dos filmes da emissora.

Atualmente, Angeli é um artista exclusivo do site UOL e colabora diariamente com o Diário de Notícias de Lisboa. Do autor, a editora Devir/Jacaranda já publicou quatro volumes de sua coleção Sobras Completas que, com 19 livros programados, registra as melhores tiras de seus personagens. Vários são os políticos satirizados pelo artista, mas o seu preferido, talvez seja o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com menção honrosa para Itamar Franco e Lula. Mas tenho que dizer que a charge do atual governador José Serra é impagável.


Aproveitando o aniversário do grande artista, que tal deixar um recado em sua página o UOL e apreciar suas brilhantes charges? Além de conferir uma amostra do que há de maior em matéria de crítica aos políticos mau-caráter que se espalham pelo país.

Angeli é um baluarte da crítica inteligente, do humor ácido, da posição sempre coerente, sempre muito lúcida e que, infelizmente, vem rareando nessas terras em que Cabral perdeu as botas. Os nosso parabéns, e que continue importunando todos os moradores de Brasília. Dá-lhe Angeli!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Mestre dos Mangás

Nesses tempos modernos em que vivemos, aonde a televisão e o cinema comercializam, respectivamente, várias séries e filmes inspirados em mangas como Cavaleiros do Zodíaco (ou Saint Seiya), Naruto, Pokémon, e tantos outros, devemos aproveitar a oportunidade para saber como estas obras se desenvolveram e quem foram os artistas que produziram e ajudaram a trazer à luz para um estilo todo original em fazer quadrinhos, que eram feitos de forma quase que artesanal, e que se tornaram, por seus próprios méritos, diga-se de passagem, ícones da cultura pop atual.



O Mangá moderno, como nós conhecemos hoje, teve a contribuição de diversos artistas, em diferentes épocas para que esse estilo chegasse ao patamar que conhecemos hoje, mas, a oportunidade de se apreciar como esses artistas ajudaram a desenvolver os quadrinhos orientais será tema em outra coluna, até porque a análise deverá ser feita de forma bastante precisa, sem cometer deslizes, até porque, trata-se da cultura oriental, tradicionalmente hermética e as vezes até de difícil interpretação, merecendo um cuidado criterioso.

Pra começar, vamos falar na pessoa que modernizou, estruturou e divulgou esta nobre arte oriental de fazer quadrinhos, criando um padrão de trabalho que se tornou praticamente obrigatória para artistas posteriores.

O conceito do mangá moderno teve no grande mestre Osamu Tezuka o seu ícone máximo. E quem é esse mestre? Bem, Osamu Tezuka, só para ser ter uma idéia, foi criador, entre outros de mangás muito famosos como Kimba – o Leão Branco, Don Drácula, a Princesa e o Cavaleiro e Astro Boy, cujo mangá está sendo adaptado para o cinema, pelo estúdio Imagi e tem entre os seus dubladores, alguns atores bem famosos como Nicolas Cage, Donald Sutherland, e Bill Nighy, entre outros, e tem estréia prevista para 2010, mas isso já é a grama do vizinho e eu não vou dar palpite. rs


O mangá é um gênero da literatura japonesa que tem sua origem no período conhecido como Nara, mais ou menos no século VIII d. C. Eram uma associação de pinturas com textos que contavam, de forma simbiótica, uma história cuja narrativa se desenvolvia de acordo com o desenrolar do texto, que era conhecido como Emakimono, e o primeiro das obras dessa estirpe é o E Inngá Kyô (imagem abaixo).


Posteriormente, no período Edo, os pergaminhos foram substituídos por livros, cujos desenhos eram criados para a ilustração de romances e poesias. A forma atual dos Mangás surgiu no início do século XX, sob a influência das revistas comerciais ocidentais que provinham dos Estados Unidos e da Europa.

Osamu Tezuka, resumidamente, é considerado o Walt Disney dos quadrinhos orientais, os já famosíssimos mangás e precursor dessa onda atual que hoje conhecemos.

Após a ocupação americana na Segunda Grande Guerra Mundial, surge Osamu Tezuka, que influenciado por artistas do calibre de Walt Disney e Max Fleischer praticou uma verdadeira revolução, tanto em sua forma, como também em sua expressão, moldando o mangá moderno, dando-lhe vida e originalidade.

Curiosamente as características faciais dos personagens, cujos conceitos são propositalmente exagerados, tiveram nos olhos da famosíssima Betty Boop, sua inspiração máxima.

Outra característica interessante na obra de Osamu Tezuka foi a introdução do efeito de movimento nas histórias, por meio de efeitos gráficos, como as linhas que dão a sensação de velocidade e as onomatopéias que se inserem no contexto, conjuntamente, com a arte e a alternância de planos e enquadramentos muito usados no cinema. Nessa época, como as histórias se alongavam muito, essas passaram a ser dividas em capítulos, dando uma nova dinâmica para as vendas de mangás.

Osamu Tezuka também produziu em seu estúdio, o Mushi Production, a primeira séria de animação para a televisão japonesa em 1963, o famoso Astro Boy. Assim, a adaptação das histórias em quadrinhos japonesas virou de exceção à regra, graças à originalidade e criatividade empregadas por Osamu Tezuka que o possibilitaram os mais diversos temas, sendo que o seu público alvo era, na sua maioria, jovens e crianças.

Muitos são os artistas que foram influenciados pelo mangá moderno, criando obras ímpares em seus respectivos países, entre os muitos quen podemos citar, os nada mais nada menos famoso norte-americano Frank Miller, em Ronin (1983), Paul Pope criador da revista Heavy Liquid, o canadense O’Malley, autor de Lost At Sea, os franceses Frédéric Boilete e Moebius, e o brasileiro Maurício de Sousa, que por sinal, se tornou seu amigo pessoal.

Algumas de suas histórias foram publicadas aqui no Brasil, pela editora Conrad e até um museu foi criado em sua homenagem, no Japão, óbvio, que presta a devida homenagem a esse Mestre que atravessou continentes de mundo pluricultural, levando seu mangá, para o seu merecido status, qual seja, a de uma forma inovadora de fazer e criar quadrinhos.

Museu Osamo Tezuka

Ao Mestre Tezuka san, com o devido respeito e carinho: Reverências, do ComTatos!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

ZAGOR Nº 100

Recentemente, no dia 22 de julho, foi lançado pela Mythos Editora o número 100 da revista Zagor, o que se tornou motivo de diversas comemorações, todas merecidas. Como se sabe, Zagor é um personagem de histórias em quadrinhos, criado em 1961 na Itália por Sérgio Bonelli e Gallieno Ferri.



A história é por demais conhecida, Zagor é uma abreviação de Za-gor-te-nay, que quer dizer “ O Espírito da Machadinha”. Resumidamente, ao perder os seus pais, Zagor passa a se dedicar à sua vida em defesa da paz, enfrentando diversos inimigos na imaginária floresta de Darkwood.

A história comemorativa, com o título de Magia Indígena, escrita por Moreno Burattini e desenhada por Gallieno Ferri, é uma síntese dos melhores momentos do personagem, com diversas referências aos artistas e roteiristas que contribuíram para a sua melhor caracterização e desenvolvimento.

O ambiente de todas as histórias de Zagor é o velho oeste, sendo que há a presença de diversas situações que envolvem assombrações, ficção científica e demais situações similares. Seu nome verdadeiro é Patrick Wilding e seu principal aliado em diversas aventuras é o seu inseparável Chico.

Curiosamente, apesar de ser ambientado no Velho Oeste, Zagor nunca foi objeto de adaptação para os cinemas, nem mesmo pelos italianos. No máximo houve a realização de três adaptações turcas que não deram em nada. Mas nada tira o mérito do personagem, que demonstra a imensa criatividade que passou de pai para filho, sendo Sérgio Bonelli filho de Giovanni Luigi Bonelli, um dos criadores do mítico Tex Willer.

Apreciem a leitura com agrado, ressalvando-se que a história foi muito bem avaliada pela resenha publicada pelo site www.universohq.com.br.

E parafraseando um famoso militar americano, histórias em quadrinhos boas são aquelas lidas com apreço. Boa leitura.

terça-feira, 14 de julho de 2009

HARRY POTTER - A obra literária

Agora que a série cinematográfica do bruxo mais famoso do mundo atualmente está acabando, nunca é tarde demais para falar sobre as suas qualidades, sua contribuição para a literatura, em suma, a importância que os livros de Harry Potter trouxeram para a cultura de uma forma geral, e para as histórias relacionadas ao universo dos romances fantásticos. Vale lembrar e para quem não sabe, as histórias do personagem e dos seus amigos vieram da cabeça da ex-professora de inglês e agora escritora britânica J. K. Rowling. Desde o lançamento do primeiro volume, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 1997, os livros ganharam enorme popularidade e um estrondoso sucesso comercial no mundo afora dando origem aos filmes, e até games, como também a muitos outros itens.

Os sete livros publicados até agora venderam aproximadamente incríveis 400 milhões de exemplares (Dan Brown morre de inveja) em todo o mundo e foram traduzidos para mais de 63 idiomas. Graças ao grande sucesso dos livros, Rowling tornou-se, hoje, a mulher mais rica na história da literatura e uma das mais ricas da Grâ Bretanha. Aqui no Brasil, os livros são publicados pela Editora Rocco.

Grande parte da narrativa se passa na já famosa Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e tem como foco principal os conflitos que norteiam Harry Potter e o bruxo maligno das trevas, aquele que não se pode pronunciar o nome de tal terrível, o tal de Lord Voldemort (falei, mas foi sem querer). Paralelamente, os livros exploram os mais diversos temas contemporâneos, como a amizade, ambição, escolha, preconceito, coragem, crescimento, responsabilidade moral e as mais diversas complexidades que cinge-se entre a vida e a morte, e tudo isso em volta de um mundo mágico com suas histórias, habitantes, cultura e sociedades.

Todos os sete livros foram minuciosamente planejados e publicados. O sétimo (e até agora, para decepção de muitos fãs, é o último), denominado Harry Potter and the Deathly Hallows, foi lançado nos EUA em 21 de Julho de 2007, no Brasil, em 10 de Novembro.

Os cinco primeiros livros deram origem a grandes sucessos de bilheteria, e o sexto filme começou a ser filmado em outubro de 2007, e será exibibo nos cinemas europeus, norte-americanos e brasileiros em 15 de Julho de 2009, sim, é aquilo que você pensou, estréia mundial, haja bruxaria.

Para quem não sabe, a história começa com o mundo dos bruxos, que tenta manter-se secreto dos Muggles - termo traduzido para o Brasil como "Trouxas" (aqueles que não são bruxos). Por vários anos este mundo foi aterrorizado pelo tal Lord Voldemort. Na noite anterior a sua queda, Voldemort encontrou o esconderijo da família Potter, matando, nessa oportunidade, Líly e James Potter (Lílian e Tiago Potter, no Brasil, arre, essas traduções). Mas, no momento em que apontou a sua varinha contra o bebê dos Potter, Harry, o seu feitiço voltou-se contra ele. Com o seu corpo destruído, Voldemort tornou-se uma espécie de espírito sem nenhum poder, procurando refúgio nos lugares mais sinistros do mundo; Harry foi deixado com a famosa cicatriz em forma de raio em sua testa, o único sinal físico da maldição infrutífera de Voldemort. Assim, Harry ficou conhecido como "O Menino que Sobreviveu" no mundo dos feiticeiros, por ter sobrevivido a maldição da morte e por ter derrotado Lord Voldemort.

E por ai vai, a ida até a casa dos tios e trouxas Dursley, sem saber de seu poder mágico. Porém, no seu décimo primeiro aniversário, Harry tem o seu primeiro contato com o mundo mágico, é nessa oportunidade que recebe as cartas da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, que eram roubadas pelos tios antes que ele pudesse lê-las. Harry é informado por Hagrid, o guarda-caças de Hogwarts, de que ele é um bruxo e deve ocupar sua vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Cada livro registra uma ano da vida de Harry em Hogwarts, aonde o persongaem cresce como pessoa e como bruxo, conhecendo mais sobre como usar a magia e a fazer poções. Harry também aprende a ultrapassar muitos obstáculos mágicos, sociais e emocionais que enfrenta em sua adolescência e na segunda tentativa de ascensão de Voldemort ao poder.

Não vou me deter nos demais livros, leia sem demora, pois são diversão garantida.

Por ser uma série na qual cada livro equivale a cerca de um ano de vida do seu protagonista, seu conteúdo amadurece conforme Harry cresce. É curioso verificar que os seus leitores, que começaram a ler a saga ainda crianças, também vão amadurecendo enquanto lêem. A estrutura da história, fica bastante complexa e sofisticada a cada volume, mérito para a talentosa escritora, que não mediu esforços para terminar a história em sete volumes.

Um dos temas mais recorrentes ao longo da série é o amor, retratado como uma poderosa forma de magia. Dumbledore acredita que foi a capacidade de amar que permitiu a Harry que resistisse às tentações de poder do lorde das trevas em seu segundo encontro, e não permitiu que o vilão se apossasse do seu no quinto ano, e será este poder o responsável pela derrota final de Voldemort?

Em contraste, outro tema importante é a morte. Diz a escritora que "Os meus livros abordam bastante a morte. Começam com a morte dos pais de Harry. Há a obsessão de Voldemort em derrotar a morte e conquistar a imortalidade a qualquer preço [...]. Eu percebo porque é que Voldemort quer conquistar a morte. Todos nós temos medo dela", disse Rowling. Curiosamente, o nome de Voldemort significa "vôo da morte" em Latim e Francês, e "roubar a morte" em Francês e Catalão. Os livros são o clássico bem contra o mal e o amor contra a morte. A perseguição que Voldemort mantém com o intuito de se evitar a morte, que inclui situações como beber sangue de unicórnio ou separar a sua alma através do uso de horcruxes, contrasta com o sacrifício de Lilian Potter, o amor por Harry e a magia extraordinária que o seu gesto deixou nele, um sacrifício que Voldemort nunca poderá entender ou apreciar.

Também tem vez o preconceito e a discriminação que também são temas bastante abordados ao longo dos livros. Harry aprende a existência de feiticeiros Sangue-Puro (oriundos de famílias onde só há bruxos) que abominam os sangue-ruim (bruxos de ascendência bruxa e trouxa ou ainda bruxos que vieram de uma família só de muggles) e os consideram inferiores. O meio termo são os bruxos Mestiços, àqueles que tem os pais muggle (ou de família muggle), e o outro ramo pertencente a comunidade bruxa. Os mais preconceituosos dentro da comunidade mágica levam estas designações mais longe, utilizando-as como um sistema de graduação para demonstrar o valor de um feiticeiro, considerando os de Sangue-Puro como sendo superiores e os de sangue-ruim como desprezáveis.

Outro importante tema brilhante que se passa na narrativa é sobre as escolhas. Em Harry Potter e a Câmara dos Segredos, Dumbledore faz, talvez, sua mais importante declaração sobre o assunto: "São as nossas escolhas, Harry, que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades". Brilhante.

Dumbledore aborda esse tema novamente em Harry Potter e o Cálice de Fogo, quando diz a Cornelius Fudge que mais importante do que como se nasce, é o que a pessoa se torna ao crescer.

Desta forma, muito dos personagens passam, ao longo dos livros, o que Dumbledore considera "uma escolha entre o que está certo e o que é fácil", tem sido um marco na carreira de Harry Potter em Hogwarts, e as suas escolhas estão entre as características que melhor o diferencia de Voldemort. Tanto Harry como Voldemort foram órfãos criados em ambientes difíceis, fora o fato de partilharem características que incluem, como Dumbledore afirmou, "um raríssimo dom ofidioglota — sabedoria, determinação" e "um certo desapreço por regras". Contudo, Harry, ao contrário de Voldemort, decidiu conscientemente adotar a amizade, a bondade e o amor, enquanto que Voldemort escolheu propositalmente rejeitá-los.

Enquanto que tais idéias sobre amor, preconceito e escolha são, como afirma J.K. Rowling, "profundamente cravadas em todo o enredo", a autora prefere deixar que os temas "cresçam organicamente", em vez de uma estrutura conscientemente tentando transmitir tais idéias ao leitor. A amizade e a lealdade são talvez os temas mais "orgânicos" de todos, aparecendo principalmente na relação entre Harry, Ron e Hermione, relação essa que permite tais temas sejam desenvolvidos naturalmente à medida em que os três personagens crescem na narrativa, e a relação dos personagens amadurece através das experiências acumuladas em Hogwarts testem a fidelidade dos três amigos. Essas provas tornam-se progressivamente mais difíceis, acompanhando o tom cada vez mais escuro e misterioso dos livros e a natureza geral da adolescência.

Por tudo isso e por muito mais essa é uma obra ímpar, aproveite e releia Harry Potter, e assista os filmes o quanto antes...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

MARVELS e dicas para Julho

Ser crítico de histórias em quadrinhos às vezes é uma tarefa difícil, mas em outras rende momentos prazerosos, sendo que um desses é poder falar justamente daquilo que mais se gosta, e, não por acaso, achei que em um momento e que as histórias em quadrinhos dos personagens que representam o mundos dos super heróis estarem passando por um momento um tanto confuso, é muito oportuno falar das obras primas que servem como referencia não só para nós, como que para o público em geral.

Marvels tem como um de seus maiores objetivos o de que não se pode vulgarizar o mito, muito pelo contrário, na maioria das vezes, herói tem que ser herói, pode ser que haja um momento mais intimista, sem combates, sem atos que afrontam o senso comum, sem grandes lances de moralidade. Se não há tais características em alguma história de super herói para que serviriam a sua existência?

Há mais ou menos 10 anos atrás foi lançada esta obra-prima dos quadrinhos, em um lance felicíssimo da já conhecida casa das idéias. Mas o aspecto que me leva a falar de Marvels é o que mais me motiva em quadrinhosde super heróis, que é a revitalização dos mitos que mantém viva a chamas do heroísmo, mas de um ponto de vista que até o hoje dia me parece pouco utilizado, pois do que seriam os super heróis se não tivessem bons coadjuvantes, e esse é a principal característica da obra, apesar de mitológica, é uma história basicamente calcada em coadjuvantes. Não é preciso nem falar que o roteiro é muito bom, mérito do competente Kurt Busiek (que é um dos melhores na nobre arte de escrever roteiros nos quadrinhos atualmente, ao lado do Grant Morrison, Garth Ennis e Brian Michael Bendis, em minha humilde opinião lógico), que sintetiza em uma única Graphic Novel toda a mitologia dos super heróis que fizeram a fama da Marvel, mas a pintura hiperrealista de Alex Ross dá o tom da obra, aonde se sobressai até as costuras do uniforme do Capitão América e as chamas do Tocha humana.

Mas o que me faz ressaltar a obra é o seu lirismo, sua classe, sem apelar para o grosseiro, com muitas referências pop (os Beatles no casamento de Red e Susan Richards é uma ótima sacada), é uma obra que é fácil de ler, sem pieguices ou contratempos. Está tudo lá, conflitos entre os heróis e os seres humanos, anti-heróis, preconceitos exacerbados (o lance da menina mutante é o mais marcante de toda a história) e o máximo de drama e heroísmo na visão de pessoas comuns, é como uma espécie de mea culpa, mas transmitida com qualidade.

A obra lançou para fama o grande Alex Ross, cuja arte, até agora, não tem concorrentes, mas sim alguns maus imitadores por assim dizer, seu estilo me lembra de certa maneira as obras do classicismo, com suas facetas realista, os ângulos cinematográficos (uma singela homenagem a Eisner), a utilização das cores, aliás, deve-se comentar que a história não inventa, mas reaquece a apreciação das figuras mitológicas, e de como estes personagens estão enraizados no nosso universo atual, pois não são os quadrinhos uma espécie de releitura das lendas mitológicas, mas com um toque de novo? Pois não eram os deuses os únicos capazes de realizar coisas incríveis e maravilhosas?

Leiam ou releiam Marvels e descubram as maravilhas, pessoalmente.


Dicas para ler no mês

Sargento Rock de Joe Kubert e Peter Carlsson: obra obrigatória, personagem marcante.

Halo Uprising 01: a história é fraca, mas tem Master chief, e desenhos marcantes do grandeee Alex Maleev, com roteiro meio capenga do grande Brian Michael Bendis, mas vale pelo inusitado.

O Pasquim 40 anos: obra mais que obrigatória, com Henfil e companhia.

Para o infinito e além...

domingo, 28 de junho de 2009

Cinquentão em boa forma



A partir do dia 18 de julho, começará o ciclo de comemorações para homenagear os 50 anos da carreira do desenhista Maurício de Sousa, com exposições comemorativas que se estenderão até o ano de 2010.
Veja algumas novidades e comece a se programar:
  • Apresentação de um documentário produzido pelo canal Biography, que será exibido em toda a América Latina a partir do dia 18 de julho.

  • Lançamento do Livro MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 artistas brasileiros,que farão traços peculiares para a turma da Mônica, uma singela e merecida homenagem ao maior artista dos quadrinhos brasileiros de todos os tempos. Tal obra será lançada, provavelmente em setembro de 2009 na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

  • * Lançamento do livro Bidu 50 anos para relembrar os 50 anos do Bidu, o primeiro personagem de Maurício de Sousa, que hoje aparece, inclusive, no logotipo da empresa do autor. A edição apresentará uma coletânea de histórias do simpático cãozinho em diferentes épocas, trazendo a edição facsímile de Bidu 1, a raríssima primeira revista solo de Maurício, publicada em 1960 pela Editora Continental. Também com previsão de lançamento para setembro, na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

  • A criação do site Máquina de Quadrinhos, no qual crianças de todas as idades poderão criar suas próprias histórias da Turma da Mônica utilizando os bancos de imagens com os personagens, cenários, objetos e balões. Trata-se de uma iniciativa original e inovadora que permitirá, inclusive, a possibilidade de as melhores histórias tenham a chance de serem publicadas nas revistas da Turma da Mônica. Previsão de lançamento para agosto de 2009.

  • Um livro, que ainda não foi batizado, contando a trajetória artística de Maurício de Sousa, década a década. Tal obra apresentará informações contidas na exposição do MuBE da forma mais completa possível, além de outras inéditas. Previsão de lançamento para dezembro de 2009.

  • O CD Maurício, 50 anos de música. Ao completar 50 anos de carreira, Maurício de Sousa pode garantir: é o som da alegria. São mais de mil músicas para shows, desenhos animados, campanhas e programas especiais com a participação dos personagens mais amados do Brasil. Um trabalho realizado com muita harmonia entre compositores e músicos, orquestrado pelo departamento de som da Maurício de Sousa Produções e dirigido por Márcio Araújo.

  • A exposição Maurício 50 anos, que se realizará no MuBE, em São Paulo, relembrará a trajetória de sucesso do artista, desde as primeiras tiras de jornal até ele se tornar um dos autores de quadrinhos mais respeitados do mundo. A exposição é dividida em duas partes. A primeira é uma verdadeira viagem no tempo, partindo do começo simples no escritório de Maurício na rua Barão de Limeira e mostrando a evolução de seus personagens, dos seus traços e da sua empresa. Os fãs poderão conferir inclusive a primeira tira de Bidu e Franjinha, que originou esta carreira de sucesso.
Será possível ainda acompanhar a consagração do primeiro gibi da Mônica, em 1970, a explosão dos desenhos animados da Turminha nos anos de 1980, a expansão comercial na década de 1990 e os novos projetos dos anos 2000, como a consagrada Turma da Mônica Jovem, o maior sucesso do mercado de quadrinhos do Brasil nas últimas três décadas. A segunda parte da mostra é focada no lado artista de Maurício de Sousa. Estará exposta a coleção de quadros e esculturas em que ele homenageia grandes mestres das artes. São releituras de Leonardo da Vinci, Rodin, Michelangelo, Degas, Cézanne, Caravaggio, além de algumas surpresas clássicas gregas e egípcias que o público poderá conferir de perto, dentro e fora da galeria. Tal exposição já foi realizada em uma elogiada passagem na Pinacoteca de São Paulo.

Atualmente, as revistas da Turma da Mônica representam mais de 80% do mercado editorial de quadrinhos brasileiro. E esse êxito se repete nas outras áreas de atuação da Maurício de Sousa Produções, como livros, produtos licenciados, desenhos animados, teatro, parques, projetos especiais, gibis institucionais, exposições e outras mídias. Mais do que uma homenagem ao criador da Turma da Mônica, a exposição Mauricio 50 Anos resgata a história de sucesso de um ícone da cultura popular deste País.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

GIBITECA HENFIL: Um Oásis de São Paulo

Imagine um lugar repleto de Quadrinhos, onde você pode encontrar as mais belas obras da Nona Arte. Esse lugar é a Gibiteca Henfil, localizada no Centro Cultural São Paulo, e detém um acervo de aproximadamente 121 mil exemplares.

Bate-Papo Inicial

Reaberta a visitação há menos dois meses, a Gibiteca recebeu nossa visita, e, para nossa grata surpresa, nos deparamos com um dos maiores exemplos de paixão e de dedicação a um trabalho: Yara Maria Afonso, ou melhor, Dona Yara, que está na Gibiteca desde a sua fundação, há 18 anos.Dona Yara conhece melhor do que ninguém o acervo e conta com uma memória fotográfica para elencar aquilo que já existe e o que não existe mais nas prateleiras.

No bate-papo com Hugo Abud, coordenador da Gibiteca, e com Dona Yara descobrimos o quanto é complicado manter e ampliar a coleção, que tem como objetivo, pelas próprias palavras de Hugo: "não só conter um acervo, mas ser também uma referência em quadrinhos".

Obra de Arte e Administração

As Histórias em Quadrinhos são criações artísticas que seguem diversos padrões de estilo, desde romances, até estilos dadaístas (ou há alguma outra forma de poder definir, por exemplo, alguns dos mangás escritos pelos japoneses?!), assim, não é um exagero poder classificá-las como verdadeiras obras de arte, que comungam, ao mesmo tempo, roteiro e desenhos, não sendo simples livros ilustrados, mas, sim, uma arte que em muitos aspectos é criado com muito esmero, sendo representantes de um momento cultural datado, magníficos exemplos de como a cultura se desenvolve com o passar do tempo.

Agora, ter tudo isso à mão é uma responsabilidade sem tamanho. Imagine ter que catalogar todas essas obras de arte, sem ter parceria com editoras e sem a quantidade necessária de equipamentos de informática para administrar todo esse patrimônio? E, para nosso espanto, toda a coleção foi formada por doações. Isso mesmo, os quase 121 mil quadrinhos foram doados. Já na contramão disso tudo, conta com 7 funcionários dos mais dedicados para fazer funcionar a maior Gibiteca da América Latina, além da colaboração do diretor do Centro Cultural São Paulo, Martin Grossman.

O Grande Homenageado

Para termos uma noção do mundo existente na Gibiteca teremos que começar por Henfil, homenageado no nome da Gibiteca e que foi o maior expoente das histórias em quadrinhos no Brasil. Ele nasceu a 5 de fevereiro de 1944, em Riberão das Neves (MG) e faleceu dia 4 de janeiro de 1988 no Rio de Janeiro, aos 43 anos. Grande cartunista e quadrinista, foi colaborador de O Pasquim, em 1969. Em 1970 lançou a revista Os Fradinhos, seus personagens mais famosos e que possuem como marca registrada um desenho humorístico, crítico e satírico, sendo os personagens tipicamente brasileiros e que retratavam a situação nacional da época. Sua importância na História em Quadrinhos no Brasil se deve à renovação que trouxe ao desenho humorístico nacional. Henfil participou, ainda, em teatro, cinema, televisão e na literatura, tendo sido marcante sua atuação nos movimentos políticos e sociais do país. A Gibiteca Henfil disponibiliza para consulta a coleção completa dos Fradins, os livros “A volta do Fradim”, “Diretas já”, “Isto era”, “Henfil na China”, “Fradim de libertação”, “Como se faz humor político” e exemplares do Pasquim. Possui também acervo para pesquisa sobre o Henfil, entre eles, um fanzine de autoria de José Eduardo Cimó, livros teóricos, recortes de jornais e folhetos.

Pelos Corredores

Entre nomes e definições fica a curiosidade: por que no Brasil chamamos as HQ´s de Gibi?

Isso se dá porque houve uma publicação, em 1939, denominada Gibi, que fazia um compilado de vários quadrinistas e pelo resultado do sucesso desta revista é que, até hoje, entitulamos as Histórias em Quadrinhos de Gibis, inclusive até o local em questão leva gibi no nome.

Os gibis da época você também encontra por lá e algumas raridades podem ser vislumbradas na coleção da Gibiteca, como, por exemplo, a primeira história em quadrinho brasileira: O TICO-TICO (1905 em fac-símile) e a preciosa edição número 1 da Turma da Mônica, autografada por seu criador, Maurício de Sousa, que confessou não possuir esse exemplar, tendo em sua biblioteca pessoal apenas uma cópia montada por sua equipe recentemente. Além disso, o local possui também o Tarzan desenhado por Hal Forster, o número um da revista Super-homem no Brasil, o número um da revista Tex, além de peças mais contemporâneas como Palestina: Na faixa de gaza e Área de Segurança: Gorazde de Joe Sacco , Sandman de Neil Gaiman (eles tem uma autografada pelo próprio), Calvin e Haroldo de Bill Watterson, Mafalda de Quino e Tintim de Hergé.

Há também uma parte dedicada ao fanzine, neste espaço que possui hoje 3.100 exemplares podemos ver peças raras, como A Boca e Balão, que revelou figuras como Paulo Caruso, Luis Gê, Angeli e Laerte. Hugo nos revelou que existe a intenção de fazer uma exposição, prevista para outubro deste ano, sobre quadrinho marginal, algo especial para os novos nomes do quadrinho brasileiro e para conhecer a história daqueles que começaram por essa vertente.

Há histórias pitorescas como o do famoso quadrinista Lourenço Mutarelli, que frenquentava a Gibiteca e conheceu a sua esposa por lá; ou as várias exposições onde se fizerem presentes gente hoje muito famosa como Angeli, Laerte, Maurício de Sousa e muitos outros.

Para o Futuro

Alguns pontos foram tocados por Hugo, que na verdade, ele colocou como metas para o futuro da Gibiteca, que vamos listar aqui, até porque gostaríamos muito que a sociedade pudesse colaborar com o cumprimento desses objetivos:

1º Resgatar o público e divulgar o novo espaço;
2º Retomar os eventos;
3º Informatização a catalogação do administrativo da Gibiteca;
4º Enviar um projeto para digitalizar parte do acervo;
5º Criar parcerias com editoras, inclusive para lançamentos de novas edições.

Considerando a qualidade desse Oásis e das pessoas que fazem as engrenagens funcionarem, esses objetivos já foram alcançados.

Se quiserem ver nossa galeria de fotos da Gibiteca é só entrar aqui

domingo, 31 de maio de 2009

LULUZINHA E A BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Ao me deparar com um artigo do conhecido site Blog dos Quadrinhos, li que a personagem Luluzinha irá ganhar uma versão adolescente, afinal, ela só tem 8 anos, precisava envelhecer, como todo mundo. Tal notícia não trouxe nenhum fato novo, por aqui, nas vastas terras tupiniquins, a Turma da Mônica também ganhou uma versão adolescente, objetivando sabe lá o que diz esse departamento de pesquisas de opinião em atingir um grupo mais restrito, que cresceu, desenvolveu e largou a famosa turminha, e, talvez, deseja encontrar uma leitura mais de acordo com seus padrões, ler Mônica e Cebolinha com trinta ou quarenta anos fica meio que cafona, vai saber.Luluzinha (Litlle Lulu, em inglês) foi criada em 1935 pela cartunista Marjorie Henderson Buell, mais conhecida com Mairge, para o jornal The Saturday Evening Post, que cuidou dos traços e roteiro do personagem até 1945, quando a dupla Jonh Stanley e Inving Tripp passaram a cuidar da personagem, mudando o traço de seu desenho o que se deve pela modernização em que se passava na época, e cujo aspecto foi o que se adotou em sua famosa versão televisiva e perdura até os nossos dias.

Há muito tempo que eu estava querendo falar da Luluzinha, mas a notícia de seu pseudo-amadurecimento me possibilitou falar de dois aspectos: um, que eu já vinha pensando é claramente nostálgico, sim, eu era um fã da Turma da Luluzinha, adorava suas traquinagens, suas lendárias brigas com o não menos famoso Bolinha, que na verdade era apaixonado pela menina, ajudando-o a sair das mais diversas confusões . Mas o aspecto que me chama mais a atenção é que a personagem é uma pioneira feminista. Não era comum, na época, haver personagens femininos protagonizando histórias, ainda mais, histórias em quadrinhos, salientando-se que a referida personagem foi criada por uma cartunista.

Há ainda o aspecto de haver uma competição, na maioria das histórias, entre meninos e meninas, o que, no futuro, veio a se chamar de guerra dos sexos (Camila Paglia deve estar roendo as unhas com tamanho disparate), sendo já lendário o famoso aviso que existia no clube dos meninos, o taxativo “MENINA NÃO ENTRA”. Era engraçado e até inovador para a época, e não deixa de ser curioso que o vestido da Luluzinha é vermelho, da mesma cor do vestido da Mônica, bem, como poderia dizer alguém, nada se cria tudo se copia. Bem, pelo menos o sansão é exclusividade brasileira.

O outro aspecto que gostaria de falar é sobre a adaptação, ou deveria dizer, evolução dos mais diversos personagens para a época em que ele vive, bagunçando a cabeça de quem era fã de uma época, como eu poderia dizer mais antiga, para o público mais contemporâneo, oriundo de uma cultura derivada em pesquisas na internet e muitos fast foods. Bem, na minha modesta opinião e da maioria dos críticos que eu leio, tal adaptação é realizada de forma irresponsável, pela maioria dos editores, que pensam mais em seus bolsos ou nas suas opiniões pessoais do que no público que eles julgam como idiota, ou você acha que um leitor normal poderia compreender as mais diversas transformações por que passam os personagens, se você acha normal de uma lida em, por exemplo, no Homem Aranha, da Marvel, putz, até separam o personagem da esposa. E o Super-homem então? O personagem até casou, só esta faltando agora ter filhos (esqueçam o filme).

Não que eu seja contra as tais “atualizações”, mas considero que estas devem ser feitas com responsabilidade e muito cuidado, haja vista ser uma campo movediço, com enorme margem para o fracasso, e, se bem feitas, é lógico que serão muito bem vindas ( o Capitão América que era publicado nos anos 60 era um horror). A própria Marvel tem tentado realizar uma releitura de seus personagens, criando o universo Ultimate. É uma experiência legal, que foi bem sucedida com o Homem Aranha e a versão Ultimate dos Vingadores conhecida como Supremos, cuja as histórias publicadas nos dois primeiros anos já se tornaram clássicas, uma verdadeira antologia crítica ao sistema político norte americano, mas não vou estragar a surpresa, é melhor que o leitor de uma olhada.

Voltando ao tema que iniciou minha argumentação, modernização da personagem Luluzinha é até tardia, mas vem de encontro com o que as editoras estão produzindo nos últimos tempos. E não deixa de ter um aspecto naturalmente nostálgico e legal, estou curioso para saber como será o aspecto do Bolinha e do resto da turma. Bem, parece-me que a Turma da Mônica não encontrou nenhuma resistência por aqui, sendo até muito bem aceita.

Esses aspectos acima alinhavados me fazem recordar de uma das muitas frases da obra, composta em sete livros, do Marcel Prost, que é Em Busca do Tempo Perdido, que cunhou a seguinte observação:: “Acontece com a velhice o mesmo que com a morte. Alguns enfrentam-nas com indiferença, não porque tenham mais coragem do que os outros, mas porque têm menos imaginação”.

Para o infinito e além...

domingo, 24 de maio de 2009

Horácio

Esse personagem é o que mais me encanta em todo o universo criado pelo nosso gênio das histórias em quadrinhos nacionais que é Maurício de Sousa Afinal, Horácio é um personagem estritamente filosófico no mundo concebido pelo referido autor. Eu o considero como o maior personagem das histórias em quadrinhos nacionais de todos os tempos, e não sou maluco.

Como é uma questão de foro íntimo, cada um que fique com sua impressão, mas já que Maurício de Sousa é, com o perdão da redundância, de longe, o maior criador de histórias em quadrinhos brasileiros de todos os tempos, e é mais do que natural que se considere o Horácio sua criação máxima. Estou falando do Brasil, mas poderia falar do mundo em todos os tempos. É difícil de encontrar em outros países personagens com tal envergadura, ainda mais em se tratando de um personagem cujo o público alvo deveria ser o infantil, ou o juvenil.

O nome do personagem não é obra do acaso. Quinto Horácio Flaco (foto abaixo) foi um poeta romano lírico e satírico e que também exercia as funções de filósofo que nasceu em Venúsia em 8 de dezembro de 65 a.c, vindo a falecer em Roma em 27 de novembro de 8.a.c (oras bolas, quadrinhos também é cultura). Dentro de muitos dos seus recursos literários se destacava a importância em se aproveitar o presente, o hoje, o agora, sem demonstrar a menor preocupação com o futuro. Horácio acreditava na vida após a morte, e que cada momento que a antecedia deveria ser aproveitado no seu máximo esplendor. Era o reconhecimento pela brevidade da vida e da forma de pensar desse lendário poeta.

Pois bem, o personagem Horácio, criado por Maurício de Sousa em 1963, para a Folhinha de São Paulo, nas tirinhas do Piteco ( que, na oportunidade, o encontrara no ovo, mas, devidos aos mais diversos rebuliços que causou na aldeia de Lem, teve que ser expulso), é um filhote de Tyrannossaurus rex, gentil, muito amigo e dedicado em ajudar o próximo. Mas, a sua marca magistral, e o que é um toque genial na construção do personagem, é sua opção em ser tornar vegetariano, sendo comum, em suas histórias, estar-se deliciando de sua “alfacinha”, antes de se enveredar nas mais diversas aventuras, em que são focadas a existência, a solidão, os relacionamentos, etc.

Seu principal objetivo é encontrar a sua mãe, que, como se sabe, e se não sabem, fiquem sabendo agora, que, através das mais diversas teorias dos paleontológos de plantão, abandonavam os seus filhotes, após o nascimento, quando esses ainda estão dentro dos ovos (repisando, quadrinhos é cultura, e da fina).

E aqui vai uma curiosidade que mostra o quão importante é o personagem, e que poucas pessoas, talvez, saibam, mas é o próprio Maurício de Sousa que se encarrega de desenhar e roteirizar as histórias do Horácio, com exclusividade, não delegando a função para mais ninguém. E não é por menos. Chego a fazer um paralelo com o lendário Mickey Mouse, criado e dublado pelo próprio Walt Disney.

É através deste personagem que Maurício de Sousa tece suas maiores críticas, realizando comentários, levantando teses, argumentando sobre os limites entre a ética, a razão, criticando o preconceito, o abandono, a solidariedade.

Ouso em dizer que, através dos gibis endereçados para as crianças, arregimentou uma enorme massa de pais que, na desculpa de comprarem os gibis para os seus filhos, eles mesmo se entretiam com as revisas em quadrinhos que adquiriam.

O filósofo homônimo do referido personagem, exprime, em uma das suas já famosas citações, a essência do personagem, que é a "Não terás razão em chamar feliz àquele que muito possui." Tal frase exprime a verdadeira vocação do personagem. Ser feliz com o pouco que possui e maximizar a vida em sua plenitude. E enviar uma mensagem aos maus humorados ( e eu sou destinatário dessa missiva). Aproveitar a vida, nas menores e maiores oportunidades e acreditar que tudo é possível.
Vida longa à Horácio...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A Piada Mortal

Primeiramente, é meu dever realizar alguns agradecimentos singelos, mas justos, a dois dos idealizadores desse blog, Ronaldo e Nathalya, pois, como eu disse uma vez, amigo é como informante, em audiência de instrução, nunca ele irá depor contra a pessoa que na verdade é seu amigo ou parente. Mas, apesar de grandes amigos, são, também, competentíssimos críticos, e, por tal razão, referidos elogios vindos de tão ilustres e gabaritados profissionais, torna imperioso que esse escriba trate esse espaço que lhe é reservado com o máximo de carinho e respeito, o que é o mínimo que deve ser feito.

E não me esqueci do meu grande amigo Roger. Uma vez, assistindo ao Show dos Racionais, em Itaquera, Mano Brown chamou Jorge Ben ( para mim é esse nome da fera e não àquela coisa de “Ben Jor”, ridículo) de Mestrão... parece brincadeira, mas não é, pois é a medida do tratamento que tal crítico é merecedor, seus texto são limpos, cultos, ou seja, tenho que aproveitar a oportunidade para aprender o máximo...não é todo dia que Péle desce do topo para ensinar a esse juvenil como chutar ao gol... agradeço e muito pelos elogios, mas é sinal de me esforçar ao máximo para não deixar a peteca cair.

E meu grande amigo Roger, com sua vasta sabedoria, me deu o mote para poder falar de não um, mas de duas lendas das histórias em quadrinhos: Neal Adans, que tratarei em momento oportunoque é Danny O’neil (eu tenho uma obra que fala da carreia dos dois, mas vou deixar para uma próxima coluna, preciso de um tempo maior para pesquisar, e eu não sou o Clark Kent, oras bolas).

Mais precisamente Danny O’neil, mas não o seu trabalho artístico e sim o de editor. O sujeito teve a sorte grande de ser tornar o editor de nada mais e nada menos do que A Piada Mortal, o que não é pouca coisa, e esta foi herdada do antigo editor da DC, outra lenda viva que é Len Wein, que se retirou após realizar um dos maiores trabalhos de toda a sua carreira, e a qual é considerada por muitos como a maior história já contada do Super-homem, escrita também por Alan Moore e achando que já tinha feito de tudo, se aposentou. Estou falando da história O Que Aconteceu com o Homem de Aço, desenhada com o brilhantismo de sempre pelo mítico Curt Swan, um dos maiores desenhistas de todos os tempos e talvez o maior artista a desenhar o Super-homem.

Para mim, mais particularmente em relação ao universo das histórias em quadrinhos que norteiam o mundo dos super-heróis, e que são, não por acaso, as que despontam com as mais vendidas, principalmente no mercado norte-americano, o maior consumidor desse tipo de entretenimento, há uma espécie de santíssima trindade que considero como modelos par aque u possa me balizar em relação as possibilidades de construção de uma analisa mais profunda e balizada no tocante aos clássicos das histórias em quadrinhos e semelhantes. Começo com Marvels de Alex Ross e Kurt Busiek, estupendo; o Reino do Amanhã, também de Alex Ross, mas agora com Mark Waid, muito acima da média e visceral; e A Piada Mortal, de Brain Bolland e Alan Moore, esse sim, um clássicasso, que influenciou muita gente boa nos quadrinhos. E olha que estou deixando muita gente boa de fora como Neil Gaiman (Sandman) e Mike Mignola, (Hell boy) para ficar somente naqueles que poderiam jogar no primeiro time em grande nível (sim, eu também faço metáforas futebolísticas). Ainda tem o grande Brian Michael Bendis, que já realizou grandes histórias como Aliás, mas, devido aos seus diversos deslizes no dito universo Ultimate, mais precisamente a saga do clone do Homem Aranha Ultimate, que foi um lixo (só de lembrar da história do clone no universo tradicional da Marvel já é de arrepiar) no qual andou dando umas escorregadas bravas, me fez rever o enorme conceito que eu tinha pelo referido profissional, mas não vou me estender muito, isso merece uma análise mais criteriosa em outra oportunidade.

Ah! Eu não sou um daqueles que rezam e comungam a cartilha do Cavaleiro das Trevas. Reconheço que é uma história muito boa, acima da média, com uma visão muita própria e especial dos personagens do universo a que se propôs em descrever. Mas não me causa nenhuma nostalgia, não corro ao primeiro sebo para procurá-la, e não acho Frank Miller isso tudo(na minha concepção, e olha que eu já li de tudo). Considero a Queda de Murdock, que é um arco das histórias do Demolidor, publicadas pela editora Marvel, e um dos seus personagens mais marcantes, disparado, o seu melhor trabalho, mas disparado. E não sou um crítico maluco, que atira para todo lado, pois considero que na sua prolífica carreira de roteirista, desenhista de histórias em quadrinhas, mais acertou do que errou (Acho América intragável).

Além disso, super-herói é para mim a acepção literal do termo, algo mítico, que realiza missões além do impossível, e é na famosa frase cunhada pelo padre Henri Martin, amigo do lendário Barão de Coubertin, o criador da Olimpíada moderna, que exprime sua principal característica, qual seja, 'Citius, Altius, Fortius' (que em grego significa 'O Mais Rápido, O Mais Alto, O Mais Forte'). E a Piada Mortal se insere nessa contexto para lá de Olímpico.

Em A Piada Mortal, Batman tem que ser o mais super possível, em contraste com a enorme loucura que cerca a história, haja vista as possibilidades e limites que destoam o ser humano, em contraste com o personagem do Coringa, o seu sofrimento, a perda de seus entes queridos, a interminável angústia, tudo isso revestido de um flagrante clichê, mas o foco narrativo é levado com tal competência que chega a ser novo. Tanto Batman quanto o coringa, que é o personagem central da trama, apresentam diversas similitudes em suas personalidades, mas isso todo crítico em quadrinhos já falou. Não, para mim, o mais interessante, e que torna a história mais saborosa de ser lida e relida é analisando todos os personagens, e seus perfis, é traumatizante constatar que a qualquer deslize, qualquer mero dissabor, qualquer acidente, seja o mais infímimo que for, pode levar uma pessoa comum a loucura, é o limiar da perplexidade e da tragédia que norteia toda a trama e é algo que o grande escritor alemão Hermann Hesse trabalha com grande genialidade em suas obras psicanalíticas.

O brilhante roteiro apresentado por que Alan Moore é a cereja no bolo, e teve o mérito de condensar em uma pequena história o quanto é ínfima a diferença entre o bem e o mau, o que, nas mãos de um roteirista menos talentoso, poderia descambar para uma bagunça sem fim, haja vista ser o tema uma tremenda areia movediça.

Por curiosidade, ou por mera coincidência, a trama me faz lembrar do filme “Um dia de Fúria” com Michael Douglas e Robert Durvall, mas isso é seara alheia, já capitaneado pelo meu grande mestre, o Roger que poderá falar de forma mais competente sobre o tema em questão.

Como já dito alhures, a um paralelo entre o crível e o incrível, o totalmente comum, e ao mesmo tempo incomum e super, ou você acha que é só nos quadrinhos que as pessoas ficam neuróticas? A Piada Mortal é a síntese do universo das histórias em quadrinhos de super-herois tal como conhecemos hoje, uma referência que dever ser lida de forma tranqüila, apreciando cada sacada inteligente.

Para encerrar, ninguém mais do que David Gibbons para falar de Alan Moore, que em poucas palavras disse que “(...)Alan escreveu algumas das mais retumbantes histórias sobre os seus personagens, tanto principais quanto secundários, que já foram imprensas. Elas vão do fantástico ao poético, passando pelo assustadoramente realista e nos permitem ter uma idéia de amplitude da escrita de Alan, seu domínio da linguagem e maestria em descrição e diálogo. Mas acima de tudo, elas mostram que a magia pode fazer parte do universo, se você realmente prestar atenção”. (Grandes Clássicos – Alan Moore – Editora Panini Comics – pagina 8).

Precisa explicar mais? Para o alto e avante...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Será Pato Donald Humano?

Poderia começar a falar nessa coluna de várias formas, e uma das várias possibilidades seria falar de Will Eisner, considerado por muitos (e por mim mesmo, oras bolas), o maior artista de histórias em quadrinhos de todos os tempos, com suas histórias repletas de closes panorâmicos, imagens cinematográficas, mulheres fatais, sim, é do Spirit que eu estou falando, mas isso deverá ser tratado em outra oportunidade, com mais calma.

Poderia falar do primeiro super-herói fantasiado. Sim, o Fantasma, de Lee Falk, criado em 1936, o famoso “espírito que anda”, com a marca da caveira, seu lobo (lobo?! você também achava que ele era um cachorro?) conhecido como Capeto, seu cavalo Herós, a tribo de pigmeus, os clãs de antepassados, etc.

Poderia viajar e falar dos Sobrinhos do Capitão, criado em 1897, por Rudolph Dirks, que foi a primeira história a utilizar o formato de edição adotado até hoje, seu foco são os gêmeos Hans e Fritz, que retrata as peraltices destes personagens, uma história singela, mas marcante.

Não, desses até poderia falar, mas me falta papel nessa oportunidade, pois são merecedores de digna atenção. Então, resolvi começar essa coluna com um personagem que é a minha cara, e talvez a de muitos dos dignos apreciadores da Nona Arte.

Donald Fauntleroy Duck (sim, esse é o nome dele) foi criado como personagem de desenho animado em 1934, pelos estúdios de Walt Disney. Um pato branco, com roupa de marinheiro (sem calças), pernas e bico alaranjados.

E por que o Pato Donald? Porque o considero um dos mais influentes personagens de toda a história em quadrinhos, tudo isso advindo de sua personalidade marcante, para não dizer complexa. Não? Pois bem, quem mais poderia ser ao mesmo tempos mesquinho e generoso, ciumento e companheiro, vingativo mas amigo de todos, rude e carinhoso, azarado mas feliz.

Diga nobre leitor, que outra personagem poderia reunir, em uma mesma personalidade a mais vasta conjunção de qualidades e defeitos?

E são essas qualidades que o tornam mais marcante, isso se deve a duas lendas dos quadrinhos, Carl Barks, conhecido como o “homem dos patos”, que criou toda a mitologia que cerca a mais conhecida ave deste mundo, e Don Rosa, que até criou uma árvore genealógica para explicar a origem do personagem.

O mais legal, para não falar o mais significativo, é que o personagem é o que reúne a maior caracterização de qualidades humanas, o que talvez explique seu enorme sucesso. Ora, nós, seres humanos, que vivemos em uma sociedade amalucada, temos as mais diversas maluquices. Somos ciumentos (Gastão), fofoqueiros, ranzizas, mas me apoio em Montesquieu, pois vivemos em sociedade na base do companheirismo, sempre ajudando uns aos outros, e essa é a maior qualidade do personagem, demonstrada em inúmeras histórias, cercado pelos sobrinhos de sua irmã (solidariedade), sua devoção pela eterna namorada, a Margarida (amor e ciúme), e lealdade e compreensão com o próximo (pois que outro motivo poderia explicar suas inúmeras aventuras com seu tio pelo mundo).

Mas o mais marcante e hilariante para mim são os seus ataques de raiva, que o consomem, sendo a sua cara de bravo, a mais conhecida do mundo talvez (sua cara de bravo, esta colada em inúmeras portas de quartos e janelas de automóveis de todo mundo). É um personagem que nunca vai perder o seu carisma e originalidade, graças à sua maior qualidade, a de ser simplesmente humano.

Vou terminar por aqui, mas retornarei ao personagem em outras oportunidades. Por quê? Há muito o que ser dito, ou você acha que não vou falar de seus eternos amigos? Deles mesmo, Mickey, Pateta e companhia em um outro post? Com certeza!