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quarta-feira, 29 de julho de 2009

O diário de uma leitora de girlie books

“Eu sou descendente de japoneses e, por isso, todo mundo sempre achou que eu era nerd. O que está bem longe de ser verdade. Quero dizer, nunca dei trabalho na escola, mas também nunca fui a primeira aluna da sala. E assim eu continuei até chegar à faculdade, onde lia poucos dos livros e textos que os professores mandavam. O que não é exatamente uma boa idéia para uma estudante de jornalismo, mas, pra ser sincera, a leitura nunca foi um hábito para mim. Surpreendentemente, isso mudou logo no primeiro – quase segundo – ano da faculdade, quando, um tanto contrariada, resolvi acompanhar meu amigo à livraria depois da aula. Pouco empolgada, dei uma olhada nos livros em geral, até que um me chamou a atenção: era o primeiro volume da série O Diário da Princesa. Confesso que foi a capa cor-de-rosa, com uma coroa e um par de coturnos estampados, que me convenceu de que comprar o livro seria uma boa ideia. Porém, alguns dias depois, isso já não importaria mais porque a leitura virou vício e eu me tornei uma leitora assídua dos, batizados por mim, Girlie Books.”

É mais ou menos assim que autoras de livros considerados romances para meninas escrevem – é claro que minha tentativa não chega nem aos pés dos originais. E, exatamente por ser um retrato tão realista da vida da maioria das mulheres/meninas, é que as autoras do gênero não costumam ter o reconhecimento que merecem. E em vez disso, seus livros, algumas vezes, são tachados de “bobinhos” por quem nunca pegou um exemplar para ler nem sequer a sinopse. A Livraria Saraiva não me deixa mentir, já que coloca livros da coleção para Jovens adultos/Adultos na sessão de Literatura Infanto-Juvenil.

No entanto, desde que os best-sellers de Helen Fielding e Meg Cabot, O Diário de Bridget Jones e O Diário da Princesa, respectivamente, viraram sucesso no cinema em 2001, o preconceito com os "girlie books" está diminuindo. E provas não faltam. Em 2005, foi a vez de A Irmandade das Calças Viajantes, de Ann Brashares, invadir as telonas e, para completar, esse ano, chegou aos cinemas a versão cinematográfica de Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, de Sophie Kinsella. Isso tudo para não citar a febre que Sthephanie Meyer causou mundo afora com o mais do que bem-sucedido Crepúsculo. Nem mesmo a televisão ficou imune ao sucesso dessas autoras já que, desde 2007, o livro de Cecily von Ziegesar, Gossip Girl, é seriado de sucesso na Warner Channel.

Por que ler?

Um dos segredos para o sucesso desses livros é que, ao lê-los, sentimos que estamos folheando páginas da nossa própria vida. Afinal, as personagens principais não poderiam ter mais coisas em comum com a maioria das mulheres/meninas da vida real: são sonhadoras, consumistas, vivem se metendo em encrenca, mentem de vez em quando, têm inimigas, morrem de ciúmes, não são populares, pagam micos e, claro, sonham em encontrar o príncipe encantado.

Além disso, são histórias cheias de humor e que podem acontecer com qualquer uma de nós a qualquer momento. Os diálogos, sempre divertidos e perspicazes, são capazes de arrancar gargalhadas de verdade, assim como também têm o poder de nos fazer manchar as páginas do livro com lágrimas teimosas. É verdade que Meg Cabot, Sophie Kinsella, Helen Fielding, Ann Brashares, Gemma Townley, Cecily von Ziegesar e todas as outras autoras que se dedicam à árdua tarefa de escrever "girlie books" de sucesso não são nenhum Gay Talese ou Truman Capote da vida, mas quem disse que não podem ser garantia de uma ótima leitura?

Must read

1. Meg Cabot
2. Sophie Kinsella
3. Gemma Townley
4. Ann Brashares
5. Sarah Mason

Em tempo: O décimo e último volume da série O Diário da Princesa, intitulado Princesa para sempre, chega às livrarias brasileiras no dia 3 de agosto.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Nas Asas do Destino - entrevista com Maíra Viana

Foto: Vinicius Campos

Ela tem a cabeça cheia de cores. Diversas como um arco-íris, as nuances se dividem, multiplicando-se nos mais variados tons. Somadas, uma a uma, cada palavras ganhou forma e a mente dela ficou alagada por uma enxurrada de poesia. Sem saber o que fazer, ela pôs as letras para secar no varal, pintando o céu do quintal de casa. Ela coloriu a própria realidade. Sentada na frente do computador, ela nem percebeu a nova vida que acabara de inventar. Ela voou e conheceu mil cidades. Suas cores pintaram milhões de frases. As palavras viraram livro. Viraram música. Milhares de bocas cantaram suas cores. Então, suas palavras se dividiram em outra vida. Multiplicando em cena, no palco de um teatro.


Esta é a história da Menina Maíra, inspirada na vida de Maíra Viana Barros, autora da peça Sinos Imaginários, em cartaz em São Paulo. “Sinos Imaginários desenha o ritual de passagem de Clariana. Uma jovem escritora que, reclusa em seu apartamento, passa o tempo a imaginar histórias para seus livros. A realidade dela começa a se confundir com a própria ficção quando se depara com um de seus personagens bem no meio da sala. O diálogo é inevitável e, logo em seguida, outros personagens passam a “invadir” seu mundo, outrora tão vazio, e insistem em lhe dizer algumas verdades que inteferem em sua vida, suas decisões, seu futuro. A história de Clariana não é só mais uma história no mundo das histórias. A história de Clariana é a história de todos nós!”

Metade Clariana e metade Menina Esquisita, a Menina Maíra, digo Maíra Viana nos recebeu nos bastidores de seu espetáculo e nos convidou a conhecer sua lépida aventura no mundo da dramaturgia. Confira a entrevista:

ComTatos: Como você decidiu fazer a peça?
Maíra Viana: Bom, um pouco antes de fazer a peça eu lancei o livro O “Teatro Mágico em Palavras”, em 2007, e comecei a vender na lojinha da banda. No final de cada show eram 60, 80 livros vendidos. O livro atingiu a marca de 6 mil exemplares vendidos de modo independente. O público começou a pedir para eu escrever mais, para eu dar continuidade a esse trabalho, mas eu não queria fazer um “O Teatro Mágico em Palavras 2”. Então, fiquei pensando em como aquelas histórias poderiam render e dentre as várias possibilidades artísticas vi que o teatro poderia ser uma delas.

ComTatos: Mas tem uma história inusitada, de uma noite de insônia no ônibus não tem?
Maíra Viana: Risos, é a gente estava indo para Vitória, no Espírito Santo. Era uma viagem longa, cansativa e tarde da noite, todo mundo estava dormindo, só eu estava acordada. Aí, lembrei de uma conversa que tive com o Rober (Rober Tosta, ator e performance circense do grupo Teatro Mágico), em que ele me disse para eu fazer uma peça, pois ele estava com saudade de atuar.

Fiquei imaginando como costurar as histórias do livro e comecei a reler os contos. Eis que surgiu a história de uma escritora que começa a interagir com seus personagens. Selecionei os contos mais legais do livro para usar na peça e, no fim das contas, o resultado ficou bem bacana, completo e sutil. Sinos imaginários é nome de um texto do livro, que conta a história da Menina Esquisita, uma personagem da peça. Achei o nome legal porque os personagens que surgem na vida conflituosa dessas escritora agem como sinos tocando na cabeça dela, mostram algumas soluções.


ComTatos: E o Menino Varrido? Ele era um personagem do livro, foi para a peça e agora ganhou um livro infantil, que você está lançando em parceria com a Livraria Saraiva. Como é essa história?
Maíra Viana: Ah, foi algo bem inusitado. Depois de um show, ainda no camarim, o Anitelli pôs uma lanterna no rosto e contou a história para câmera Aí gente jogou esse vídeo no Youtube. Então um editor da Livraria Saraiva estava navegando na internet e caiu na minha página. Ele não sabia o que era o Teatro Mágico, mas ouviu a história e achou que aquilo dava um livro infantil maravilhoso. O livro é todo colorido, grande, com um papel bonito. É o meu segundo livro, mas agora tem uma editora, vai estar em várias livraria do Brasil, é um processo bem diferente do primeiro. Aliás, o editor me contou que teve dificuldade em encontrar meus contatos e foi aí que eu percebi que era a hora de ter mais que um blog e ter um site. Foi aí que fiz o mairaviana.com.br que reúne todo o meu trabalho, meus contatos, vídeos, crônicas, o blog.Tô favorecendo a sorte para que as coisas aconteçam.

ComTatos: Como é escrever para criança?
Maíra Viana: Eu nunca escrevi nada voltado para criança. O conto do Menino Varrido foi imaginado de outra forma, para adultos. Mas quando eu recebi o convite e os desenhos começaram a surgir, cheios de cores... Fui achando aquilo tão mágico, tão lindo que resolvi que vou escrever para criança. Então, já escrevi um outro livro, chamado “Olho de Peixe” que ainda está guardado, sendo ilustrado por uma amiga minha, mas não tem editora ainda, não tem data, nem nada. Ele só existe, a história existe e foi escrita para uma criança compreender, estou gostando de seguir essa linha.

ComTatos: Você recebe sugestões de fãs? Eles te mandam ideias?
Maíra Viana: Tem sim. Desde fã que me convida para compor algo em parceria até gente que entra em contato para me mostrar seus poemas, suas músicas.Sempre que posso eu respondo, porque é muito legal ter esse contato com as pessoas que me lêem. Tem também as pessoas que me escrevem para poder usar um texto meu em uma apresentação na escola, no curso de teatro. Eu deixo, claro, é só por os créditos, isso é divulgação do meu trabalho. E na verdade, essas atitudes é o que fazem a gente estar onde a gente está, porque o Teatro Mágico virou um fenômeno mas não está na mídia. Não é, como por exemplo, a Ivete Sangalo que está na grande mídia. Isso ajuda na nossa divulgação.

ComTatos: O Teatro Mágico foi um marco na sua vida, o início a um trabalho muito bonito. Como foi trabalhar com a banda? Você ainda tem outros projetos não incluem o Teatro Mágico?
Emocionada, como sempre fica ao falar do Teatro Mágico, Maíra Viana responde: O Teatro Mágico é uma trupe de artistas das mais variadas vertentes. Tem o cara que é um palhaço, mas que quer fazer teatro. Tem outro que compõe. Tem um percussionista que faz performances. É uma galera que tem muito talento e faz muitas outras coisas além do que faz no Teatro Mágico. Muitos artistas já passaram pelo TM e hoje estão com trabalhos independentes. O TM é um movimento cultural as pessoas passam por ele, pegam o que tem para pegar de lá, faz suas trocas e saem dali transcendendo cultura. O meu processo não foi diferente disso. Eu fiquei 5 anos ligada à produção. Nunca achei que eu fosse artista, nunca pensei que fosse ser uma escritora. Eu comecei a ajudar o Fernando (Anitelli) quando eu o conheci pela internet. Eu tinha um blog (o Vergonha dos Pés) e, um dia, o Fernando estava navegando, leu minhas coisas, se encantou e me mandou uma mensagem dizendo que tudo que eu escrevia era lindo e que tinha tudo a ver com o projeto que ele tava começando.


ComTatos: Para finalizar, qual dica você dá para quem está começando a escrever?
Maíra Viana: Eu sempre falo, primeiro passo é fazer um blog. Põe na internet, pega o que você escreve, publica lá e divulga. Manda o link para o máximo de pessoas que você puder. Usa o Twitter, o Orkut. A maioria das pessoas não vai ver, mas qualquer um que lhe visitar, comentar, já é legal para você. A internet foi um anjo da guarda para mim e hoje, ela é ferramenta de comunicação do momento.

P.S: Dados do podcast: texto por Nathalya Buracoff. Interpretação Ronaldo Junior. Música: Acendendo Velas, da trilha sonora da peça Sinos Imaginários. Autoria: Fábio Mauro e Nick Gutierrez.


PROMOÇÃO!

O ComTatos lança uma promoção exclusiva!

Mora na Grande São Paulo e quer ganhar um livro “O Teatro Mágico em Palavras” autografado, (como este aqui) ? Então, mande uma frase, com até 200 caracteres, referente ao universo de Sinos Imaginários no espaço de comentários abaixo. A frase mais criativa na opinião da equipe do ComTatos recebe um livro autografado pela autora. Solte a imaginação e deixe a sua mensagem! Você tem até as 23h59 do dia 28/07. NÃO ESQUEÇA DE DEIXAR UM EMAIL PARA CONTATO

sábado, 18 de julho de 2009

Letras em raios de luz



“O astro rei não estava lá, tinha tomado um chá de sumiço. E cada boca sussurrava: “Onde estará? Onde estará?”. É assim que, espantada com o desaparecimento do Sol, a gente do vilarejo saiu em protesto procurando por ele. O Menino-Varrido metido a cientista, que vivia recluso e distante de toda a realidade a sua volta, nem se importava com a indignação alheia. Ele estava radiante – de verdade – era com a primeira mágica bem-sucedida que acabara de realizar... O que o Varrido tem com tudo isso? E o Sol? Onde será que foi parar?”

A história do menino que consegue roubar o sol num passe de mágica, contada no vídeo acima, chega ao público infantil, em cores e formas, neste domingo com o lançamento do livro Menino Varrido, de Maíra Viana Barros, às 18h, na Livraria Saraiva, do Shopping Ibirapuera, em São Paulo.

Durante o evento, a escritora revela o processo de criação do personagem, acompanhada de Rodrigo Franco, ilustrador da obra, que comentará sobre a linguagem e arte gráfica utilizada. O músico Fernando Anitelli realizará uma contação de historias em um encontro com muita música, bate-papo e poesia. O evento é gratuito e logo após o término, haverá uma sessão de autógrafos.

“Menino Varrido” é um conto do livro “O Teatro Mágico em Palavras”, escrito por Maíra, baseado nas músicas da trupe O Teatro Mágico. O personagem também ganhou vida e faz parte da peça Sinos Imaginários, em cartaz às quartas-feiras, até 26 de agosto, no Teatro Coletivo Fábrica, em São Paulo. (A equipe do ComTatos foi conhecer o espetáculo e conversou com Maíra Viana. A entrevista exclusiva vai ao ar na próxima semana, com novidades e uma promoção especial para os nossos leitores.)

A obra, que inicialmente era um conto virou vídeo, até que um editor da Saraiva estava navegando pelo Youtube, quando se deparou com a história do Menino, produzido pela escritora e editado pelo videomaker Marcos Farion. Então, achou que aquilo poderia ser transformado o universo infantil. Para este ano, a escritora prepara o lançamento de seu terceiro livro e de um curta-metragem em animação, o qual assina roteiro e produção, intitulado "Alegoria dos Porquês", com narração de Fernando Anitelli e criação do artista gráfico Ivan Mola.

Serviço
O que: lançamento do livro Menino Varrido
Onde: Livraria Saraiva - Shopping Ibirapuera. Avenida Ibirapuera, 3103.
Quando: 19 de julho, às 18h.
Quanto: Grátis.
Mais informações: (11) 5561-7290.

terça-feira, 14 de julho de 2009

HARRY POTTER - A obra literária

Agora que a série cinematográfica do bruxo mais famoso do mundo atualmente está acabando, nunca é tarde demais para falar sobre as suas qualidades, sua contribuição para a literatura, em suma, a importância que os livros de Harry Potter trouxeram para a cultura de uma forma geral, e para as histórias relacionadas ao universo dos romances fantásticos. Vale lembrar e para quem não sabe, as histórias do personagem e dos seus amigos vieram da cabeça da ex-professora de inglês e agora escritora britânica J. K. Rowling. Desde o lançamento do primeiro volume, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 1997, os livros ganharam enorme popularidade e um estrondoso sucesso comercial no mundo afora dando origem aos filmes, e até games, como também a muitos outros itens.

Os sete livros publicados até agora venderam aproximadamente incríveis 400 milhões de exemplares (Dan Brown morre de inveja) em todo o mundo e foram traduzidos para mais de 63 idiomas. Graças ao grande sucesso dos livros, Rowling tornou-se, hoje, a mulher mais rica na história da literatura e uma das mais ricas da Grâ Bretanha. Aqui no Brasil, os livros são publicados pela Editora Rocco.

Grande parte da narrativa se passa na já famosa Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e tem como foco principal os conflitos que norteiam Harry Potter e o bruxo maligno das trevas, aquele que não se pode pronunciar o nome de tal terrível, o tal de Lord Voldemort (falei, mas foi sem querer). Paralelamente, os livros exploram os mais diversos temas contemporâneos, como a amizade, ambição, escolha, preconceito, coragem, crescimento, responsabilidade moral e as mais diversas complexidades que cinge-se entre a vida e a morte, e tudo isso em volta de um mundo mágico com suas histórias, habitantes, cultura e sociedades.

Todos os sete livros foram minuciosamente planejados e publicados. O sétimo (e até agora, para decepção de muitos fãs, é o último), denominado Harry Potter and the Deathly Hallows, foi lançado nos EUA em 21 de Julho de 2007, no Brasil, em 10 de Novembro.

Os cinco primeiros livros deram origem a grandes sucessos de bilheteria, e o sexto filme começou a ser filmado em outubro de 2007, e será exibibo nos cinemas europeus, norte-americanos e brasileiros em 15 de Julho de 2009, sim, é aquilo que você pensou, estréia mundial, haja bruxaria.

Para quem não sabe, a história começa com o mundo dos bruxos, que tenta manter-se secreto dos Muggles - termo traduzido para o Brasil como "Trouxas" (aqueles que não são bruxos). Por vários anos este mundo foi aterrorizado pelo tal Lord Voldemort. Na noite anterior a sua queda, Voldemort encontrou o esconderijo da família Potter, matando, nessa oportunidade, Líly e James Potter (Lílian e Tiago Potter, no Brasil, arre, essas traduções). Mas, no momento em que apontou a sua varinha contra o bebê dos Potter, Harry, o seu feitiço voltou-se contra ele. Com o seu corpo destruído, Voldemort tornou-se uma espécie de espírito sem nenhum poder, procurando refúgio nos lugares mais sinistros do mundo; Harry foi deixado com a famosa cicatriz em forma de raio em sua testa, o único sinal físico da maldição infrutífera de Voldemort. Assim, Harry ficou conhecido como "O Menino que Sobreviveu" no mundo dos feiticeiros, por ter sobrevivido a maldição da morte e por ter derrotado Lord Voldemort.

E por ai vai, a ida até a casa dos tios e trouxas Dursley, sem saber de seu poder mágico. Porém, no seu décimo primeiro aniversário, Harry tem o seu primeiro contato com o mundo mágico, é nessa oportunidade que recebe as cartas da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, que eram roubadas pelos tios antes que ele pudesse lê-las. Harry é informado por Hagrid, o guarda-caças de Hogwarts, de que ele é um bruxo e deve ocupar sua vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Cada livro registra uma ano da vida de Harry em Hogwarts, aonde o persongaem cresce como pessoa e como bruxo, conhecendo mais sobre como usar a magia e a fazer poções. Harry também aprende a ultrapassar muitos obstáculos mágicos, sociais e emocionais que enfrenta em sua adolescência e na segunda tentativa de ascensão de Voldemort ao poder.

Não vou me deter nos demais livros, leia sem demora, pois são diversão garantida.

Por ser uma série na qual cada livro equivale a cerca de um ano de vida do seu protagonista, seu conteúdo amadurece conforme Harry cresce. É curioso verificar que os seus leitores, que começaram a ler a saga ainda crianças, também vão amadurecendo enquanto lêem. A estrutura da história, fica bastante complexa e sofisticada a cada volume, mérito para a talentosa escritora, que não mediu esforços para terminar a história em sete volumes.

Um dos temas mais recorrentes ao longo da série é o amor, retratado como uma poderosa forma de magia. Dumbledore acredita que foi a capacidade de amar que permitiu a Harry que resistisse às tentações de poder do lorde das trevas em seu segundo encontro, e não permitiu que o vilão se apossasse do seu no quinto ano, e será este poder o responsável pela derrota final de Voldemort?

Em contraste, outro tema importante é a morte. Diz a escritora que "Os meus livros abordam bastante a morte. Começam com a morte dos pais de Harry. Há a obsessão de Voldemort em derrotar a morte e conquistar a imortalidade a qualquer preço [...]. Eu percebo porque é que Voldemort quer conquistar a morte. Todos nós temos medo dela", disse Rowling. Curiosamente, o nome de Voldemort significa "vôo da morte" em Latim e Francês, e "roubar a morte" em Francês e Catalão. Os livros são o clássico bem contra o mal e o amor contra a morte. A perseguição que Voldemort mantém com o intuito de se evitar a morte, que inclui situações como beber sangue de unicórnio ou separar a sua alma através do uso de horcruxes, contrasta com o sacrifício de Lilian Potter, o amor por Harry e a magia extraordinária que o seu gesto deixou nele, um sacrifício que Voldemort nunca poderá entender ou apreciar.

Também tem vez o preconceito e a discriminação que também são temas bastante abordados ao longo dos livros. Harry aprende a existência de feiticeiros Sangue-Puro (oriundos de famílias onde só há bruxos) que abominam os sangue-ruim (bruxos de ascendência bruxa e trouxa ou ainda bruxos que vieram de uma família só de muggles) e os consideram inferiores. O meio termo são os bruxos Mestiços, àqueles que tem os pais muggle (ou de família muggle), e o outro ramo pertencente a comunidade bruxa. Os mais preconceituosos dentro da comunidade mágica levam estas designações mais longe, utilizando-as como um sistema de graduação para demonstrar o valor de um feiticeiro, considerando os de Sangue-Puro como sendo superiores e os de sangue-ruim como desprezáveis.

Outro importante tema brilhante que se passa na narrativa é sobre as escolhas. Em Harry Potter e a Câmara dos Segredos, Dumbledore faz, talvez, sua mais importante declaração sobre o assunto: "São as nossas escolhas, Harry, que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades". Brilhante.

Dumbledore aborda esse tema novamente em Harry Potter e o Cálice de Fogo, quando diz a Cornelius Fudge que mais importante do que como se nasce, é o que a pessoa se torna ao crescer.

Desta forma, muito dos personagens passam, ao longo dos livros, o que Dumbledore considera "uma escolha entre o que está certo e o que é fácil", tem sido um marco na carreira de Harry Potter em Hogwarts, e as suas escolhas estão entre as características que melhor o diferencia de Voldemort. Tanto Harry como Voldemort foram órfãos criados em ambientes difíceis, fora o fato de partilharem características que incluem, como Dumbledore afirmou, "um raríssimo dom ofidioglota — sabedoria, determinação" e "um certo desapreço por regras". Contudo, Harry, ao contrário de Voldemort, decidiu conscientemente adotar a amizade, a bondade e o amor, enquanto que Voldemort escolheu propositalmente rejeitá-los.

Enquanto que tais idéias sobre amor, preconceito e escolha são, como afirma J.K. Rowling, "profundamente cravadas em todo o enredo", a autora prefere deixar que os temas "cresçam organicamente", em vez de uma estrutura conscientemente tentando transmitir tais idéias ao leitor. A amizade e a lealdade são talvez os temas mais "orgânicos" de todos, aparecendo principalmente na relação entre Harry, Ron e Hermione, relação essa que permite tais temas sejam desenvolvidos naturalmente à medida em que os três personagens crescem na narrativa, e a relação dos personagens amadurece através das experiências acumuladas em Hogwarts testem a fidelidade dos três amigos. Essas provas tornam-se progressivamente mais difíceis, acompanhando o tom cada vez mais escuro e misterioso dos livros e a natureza geral da adolescência.

Por tudo isso e por muito mais essa é uma obra ímpar, aproveite e releia Harry Potter, e assista os filmes o quanto antes...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Brasil: um país de leitores

Eu sou a favor da democratização da cultura e da troca de conhecimentos e experiências. Mas ao contrário do que muita gente pensa, para ampliar o acesos à cultura não é preciso nenhum esforço descomunal de governos, prefeituras, entidades. Alguns pequenos gestos sempre fazem a diferença e eles só dependem de nós.

Como deixar um livro no metrô, por exemplo. Dias atrás eu vi no twitter (esse troço vicia) que a Soninha ia "esquecer" o livro "tal" no metrô.

Achei genial. Certa vez eu deixei um livro e um cachecol no metrô. Mas eu esqueci mesmo. Sorte de quem achou.Enfim, eu nunca achei um livro no metrô. Acho que eles são como os guarda-chuvas. Eu já perdi a conta de quantos guarda-chuvas eu perdi e nunca encontrei nenhum. Aonde será que eles vão parar? Deve existir uma Guardachuvolândia. Assim como deve ter a Livrolândia.

De uns tempos para cá, eu reparei em como está cada vez mais fácil e maior o acesso à leitura. Grandes livrarias viraram points cults, como a Livraria Cultura e as megastores da Fnac e Saraiva.

Nas bibliotecas você encontra uma infinidade de títulos grátis à sua disposição. Outro bom lugar para achar raridades é em sebo (fiz uma matéria falando sobre isso). Esses lugares têm uma atmosfera mágica e as prateleiras escondem tesouros esquecidos no tempo. Ah, além de grandes histórias, como a vez em que o dono do sebo me convidou para tomar uma cerveja enquanto ele procurava o livro que eu pedi... Mas esse causo eu conto em outra hora.

Hoje, lojas virtuais como as americanas e o submarino fazem promoções com títulos novos a R$ 10,00 e tem para todos os gostos: literatura nacional, estrangeira, livro espírita, de auto-ajuda, etc. Mas se a sua desculpa é grana, afinal o mundo está em crise e infelizmente as pessoas começam a cortar os gastos nas áreas de lazer e cultura, aqui está uma dica imperdível para ler sem gastar seu rico dinheirinho.

O site Cultvox traz downloads de e-livros grátis, também tem o Livros online e last but not least o tradicional Domínio Público. Agora se o seu perfil é pegar o livro, tatear as páginas e andar com ele debaixo do braço, prepare-se para renovar sua biblioteca pessoal, pois neste domingo, 17 de maio, acontece a Feira de Troca de Livros e Gibis, da Secretaria Municipal de Cultura, no Parque do Ibirapuera, das 10h às 15h.

Lá estarão à disposição diversas mesas classificadas em assuntos, que funcionam como um ponto de encontro para os adeptos de um gênero literário específico. Sem mexer nas suas economias, você leva aquele livro que já leu e troca com os demais freqüentadores. Mas tem um porém, as obras não devem ser didáticos e têm que estar em bom estado de conservação.

Quem perder essa chance, pode comparecer nas outras edições: no dia 7 de julho no parque do Carmo, na região leste; dia 2 de agosto, no parque do Piqueri, na região oeste; dia 13 de setembro, no parque da Luz, na região central; dia 4 de outubro, no parque Cidade de Toronto, na região norte; e dia 8 de novembro, no parque Santo Dias, no Capão Redondo, região sul. Também vale você iniciar a troca agora em maio e seguir trocando até novembro, que tal?

E para quem pensa que brasileiro é preguiçoso e não gosta de ler, eu deixo o link desta coluna do Nelson Motta, no Jornal da Globo, na qual ele diz que o livro 1808, do Laurentino Gomes, vendeu mais do que os CDs da Ivete Sangalo. Viram o paradoxo? Um livro de história vendeu mais do que um CD de axé, em pleno País do Carnaval. E viva a literatura!