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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Procurando Shirley

Uma mulher de meia idade em busca da auto-estima e da felicidade após anos de um casamento desgastado pelo tempo. Essa é a história de Shirley Valentine (que é também o nome da peça), mãe, esposa e dona-de-casa. O texto de Willy Russell já foi interpretado várias vezes nos palcos e no cinema e ganhou uma nova versão dirigida por Guilherme Leme e interpretada por Betty Faria.

O monólogo passou pelos palcos paulistanos entre abril de junho deste ano com bastante sucesso e agora inicia seu roteiro pelo interior e outros estados.

A peça começa com Shirley preparando o jantar e literalmente conversando com as paredes. Com uma taça de vinho nas mãos, Shirley descreve a vida de uma mulher solitária e desiludida, após criar dois filhos e um casamento de anos com um marido que mal a nota. A vida de Shirley muda quando uma amiga lhe dá de presente uma viagem à Grécia. Após debater se deveria ou não aceitar, o desejo de realizar um sonho fala mais alto e Shirley viaja escondida com a amiga em busca de si mesma.

Quantos de nós não conhecemos mulheres assim? Mulheres que abandonaram seus sonhos e ideiais e as vezes a própria individualidade a tanto tempo que não se reconhecem mais. Talvez por isso a peça seja tão envolvente. Reconhecemos em Shirley as mulheres em nossas vidas e por vezes identificamos na sua sede de viver a nossa própria acomodação diante da vida.

Betty Faria, numa interpretação belíssima, mostra de forma divertida e emocionante como Shirley redescobre o amor, a alegria e a paixão pela vida. Além de uma atriz excelente, Betty também é muito gentil com o público e atende a todos que a esperam depois do espetáculo.

Existe a possibilidade da peça voltar a São Paulo em 2010, mas não há nada confirmado ainda, enquanto isso, confira se ela estará na sua cidade:

Salvador - 19 e 20 de agosto
Ribeirão Preto - 27, 28 e 29 de agosto
Santos - 25 e 26 de setembro
Porto Alegre - 16, 17 e 18 de outubro
Goiânia - 24 e 25 de outubro
Vitória - 29 e 30 de outubro
Campo Grande - 26, 27 e 28 de novembro

Ficha Técnica
Texto: Willy Russel
Interpretação: Betty Faria
Direção: Guilherme Leme
Tradução: Euclydes Marinho
Adaptação: Euclydes Marinho e Guilherme Leme
Produção Executiva: Miçairi Guimarães
Coordenação geral: Montenegro e Raman
Realização: Pleiades Produções

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Bastidores da Loucura

Direção e adaptação de Fernando Meirelles da série canadense Slings and Arrows, Som e Fúria traz um elenco excelente e muito bem entrosado. A minissérie conta a história da Companhia de Teatro do Estado, após a morte de seu diretor artístico, Oliveira (Pedro Paulo Rangel). Passando por um momento de crise, a Companhia se vê obrigada a encontrar um novo de diretor artístico e também trazer mais patrocínio e público para o teatro.

Para substituir Oliveira entra Dante (Felipe Camargo), diretor da falida Sans Argent. Dante era um ator promissor da Companhia quando, em uma apresentação de Hamlet, esquece o texto e abandona o palco e também Ellen (Andréa Beltrão), sua namorada e companheira de teatro por acreditar que ela estava tendo um caso com Oliveira. Dante passa um tempo internado em uma clínica de psiquiatria e os rumores de sua loucura o acompanham após sua saída. Os rumores só aumentam, aliás, quando Dante passa a ver o fantasma de Oliveira que insiste em ajudá-lo nas novas montagens de Hamlet e Macbeth. Suas divergências são inevitáveis, já que Oliveira tem um perfil conservador, enquanto Dante questiona sempre qual a interpretação mais correta de cada cena e a intenção e motivação de cada personagem. Sua direção beira a obsessão, mas ao mesmo tempo trás uma nova visão e vigor para as montagens.

Além dos dramas dos atores e diretor, vemos também problemas administrativos e financeiros enfrentados pela Companhia que vê seu público, constituído em sua maioria pela terceira idade, diminuindo ou, nas palavras do publicitário Sanjay (Rodrigo Santoro), morrendo. Responsável por conseguir mais dinheiro para o grupo, o diretor financeiro Ricado Silva (Dan Stulbach) se vê diante de um dilema moral: seguir a ambiciosa e inescrupulosa Graça (Regina Casé), uma funcionário da Secretaria de Cultura, que quer fazer dele o novo diretor artístico e transformar a Companhia em um grupo de musicais; ou manter a Companhia com suas temporadas clássicas e confiar em Dante como diretor. Ao ver o sucesso de Hamlet, ele opta pela conservação dos padrões da Companhia e vai em busca de novos investimentos e uma nova campanha publicitária para atrair o público. Entra Sanjay e sua controversa campanha que causa muita polêmica, perda de patrocínios, público e deixa Ricardo a beira de um ataque de nervos, especialmente quando descobre o tamanho da ficha criminal do suposto Sanjay.

Em meio a romances e tragédias, fazemos uma viagem não só aos bastidores de um grupo de teatro, mas aos texto de Shakespeare (de quem sou fã). São entre trechos de Sonhos de uma Noite de Verão, Hamlet, Macbeth e Romeu e Julieta que conhecemos melhor os personagens, suas paixões e medos, insegurança e arrogância. O teatro, que infelizmente ainda não tem o devido valor no Brasil, é mostrado em sua intensidade e frivolidade.

Talvez por ser um universo tão diferente do cotidiano da maioria das pessoas, Som e Fúria tenha ficado ligeiramente abaixo da média de audiência do horário, o que é uma pena. Espero que isso não impeça que seja feita uma segunda temporada. Sim, existem planos de uma seqüência caso haja interesse de público, segundo Fernando Meirelles. Vamos torcer.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Entre Anjos e Panteras

Marco de uma geração por mostrar mulheres dentro de um universo tipicamente masculino, As Panteras (Charlie's Angels) conta a histórias de três detetives saídas da academia de polícia com honras, que foram recrutadas pelo milionário Charlie Towsend para trabalhar em sua agência de investigações, por acreditar que o talento das moças estava sendo desperdiçado na polícia.

A inteligente líder do grupo era Sabrina Duncan (Kate Jackson). A princípio Sabrina teria um papel de maior destaque, já que a atriz Kate Jackson já era bem conhecida nas TVs americanas. Inclusive a atriz recebia um salário duas vezes maior do que o de suas colegas. Os produtores não contavam com o sucesso de Jill Munroe (Farrah Fawcett), a pantera mais sedutora. Farrah foi quem realmente teve sua carreira deslanchada, especialmente após seu famoso poster do maiô vermelho. A permanência da atriz na série, porém durou pouco. Ao final da primeira temporada ela rompeu seu contrato de cinco anos, pois não gostou do rumo que seu personagem estava tomando na série. A última pantera e única que permaneceu durante todas as temporadas é Kelly Garrett (Jaclyn Smith), considerada ao mesmo tempo durona e sensível.

Além das três panteras, temos também John Bosley (David Doyle) como assistente de Charlie e chefe das detetives. Falando em Charlie, ele era o maior mistério da série. Somente sua voz é ouvida nos episódios e, por mais que tentassem, nenhuma das garotas conseguiram descobrir quem ele realmente era.

A série estreou em 22 de setembro de 1976 e foi ao ar até 1981, durando cinco temporadas. Nesse tempo tivemos 6 panteras. Com a saída de Farrah Fawcett, Cheryl Ladd se juntou ao elenco como Kris Munroe, irmã de Jill. Ao final da terceira temporada, foi a vez de Kate Jackson deixar o grupo. Sua primeira substituta, Shelley Hack, no papel de Tiffany Welles, não agradou ao público e logo deu lugar a Tanya Roberts interpretando Julie Rogers.

Farrah fez algumas participações na série após sua saída como pagamento de um acordo por quebra de contrato e sua presença deixou tanto os fãs quanto a imprensa, que aproveitou para lançar rumores sobre a tensão no set de filmagem, empolgada.

A febre causada pelo programa foi enorme. Não demorou para aparecer uma série de produtos, que íam de lancheiras a produtos de beleza, com a imagem das atrizes, que também eram muito procuradas para aparecerem em revistas e comerciais de TV. Mais do isso, As Panteras ditou moda. Do corte de cabelo ao figurino, elas eram seguidas e copiadas por mulheres que identificavam na inteligência e habilidade das personagens todo o potencial que elas mesmas tinham.

Após o final da série, o produtor Aaron Speling tentou fazer uma nova versão no final dos anos 80 chamada Angels' 88, mas esta nunca chegou a ser exibida. Nas telonas, As Panteras ganharam dois filmes, que contavam com as atrizes Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu como protagonistas.

Onde assistir?
TV a cabo: TCM
DVDs: Apenas dois episódios, "Para Matar Uma Pantera" e "A Noite Do Estrangulador", estão disponíveis no DVD As Panteras - A Série.

Curiosidades:
- Dois desenhos animados se inspiraram na série: Capitão Caverna e as Panterinhas, produzido por Hanna Barbera e Três Espiãs Demais.
- A atriz Michelle Pfeiffer fez testes e quase conseguiu o papel que ficaria com Tanya Roberts.
- Alguns nomes conhecidos que fizeram participações especiais são: Kim Basinger (Angels in Chains), Jamie Lee Curtis (Winning Is for Losers), Tom Selleck (Target: Angels) e Tommy Lee Jones (Pilot)

Dados técnicos:
Duração: 5 temporadas
Total de episódios: 116
Criadores: Aaron Speling, Leonard Goldberg, Ivan Coff e Ben Roberts
Elenco principal:
Sabrina Duncan: Kate Jackson
Kelly Garrett: Jaclyn Smith
Jill Munroe: Farrah Fawcett
John Bosley: David Doyle
Kris Munroe: Cheryl Ladd
Tiffany Welles: Shelley Hack
Julie Rogers: Tanya Roberts
Charlie Townsend: John Forsythe (voz)

domingo, 21 de junho de 2009

Holmes, M.D.

Quem já assistiu House provavalmente reparou que o raciocínio e poder de dedução do médico é muito semelhante ao de Sherlock Holmes. David Shore, fã das histórias do investigador inglês, nunca negou que House tenha sido inspirado em Holmes e durante as cinco temporadas da série nos deixou diversas referências à obra de Conan Doyle. E não é irônico que a pessoa que inspirou Doyle a escrever Holmes foi um médico (Joseph Bell)?

As referências vão desde as mais óbvias como a escolha dos nomes House/Holmes, Wilson/Watson até algumas mais escondidas como frases usadas por Holmes.

A vantagem de House é que ele possui muito mais profundidade como personagem do que Holmes. Como Doyle mesmo disse, Holmes é uma máquina calculadora, o que interessa a ele é apenas resolver mistérios. Aparentemente poderíamos dizer o mesmo sobre House, mas na realidade, o médico brilhante e arrogante esconde uma pessoa vulnerável e que se apega muito ao ambiente e às pessoas a sua volta. Talvez seja a falta dessa vulnerabilidade que faça de Holmes um investigador mais eficaz que House. Ele é muito mais direto na resolução de seus casos, enquanto House acerta e erra várias vezes durante um episódio. Alguns desses erros, inclusive, chegam a ser fatais para seus pacientes.

Mas vamos voltar às similaridades. Abaixo listamos algumas das principais características comuns aos dois personagens:

- Fazem deduções, em sua maioria corretas, apenas olhando para uma pessoa.
- House é um médico, enquanto Holmes foi baseado em um.
- Holmes mora em 221B Baker Street. Embora não tenha sido mencionada a rua que House mora, o número de sua casa é 221B.
- Tem apenas um amigo, Wilson para House, Watson para Holmes.
- São viciados em drogas. Holmes usava cocaína para se livrar do tédio, e House usa Vicodin para a dor em sua perna. Tanto Watson quanto Wilson tentaram fazer com que seus amigos se livrassem do uso dessas drogas.
- Arrogantes e anti-sociais.
- Tocam instrumentos musicias. Holmes toca violino, durante a série vimos House tocando piano, guitarra e recentemente gaita.
- No final da segunda temporada, House leva um tiro de um personagem creditado como Moriarty, que é o nome do inimigo de Holmes.
- Na quinta tempoarada, Wilson dá a House um livro de Joseph Bell, médico que inspirou Doyle a escrever Holmes. Quando Kutner e Taub perguntam a Wilson quem deu o livro a House, ele reponde que foi a única mulher que House amou, Irene Adler. Este é o nome de uma personagem que consegue ser mais esperta que Holmes. O investigador se refere a ela com a mulher e sempre demonstra bastante admiração à sua inteligência.
- Watson e Wilson são considerados namoradores. Ambos tiveram três esposas, e Wilson teve várias namoradas, destacando-se Amber.
- Holmes e House usam bengalas.
- Durante um episódio, House desafia sua equipe a descobrir o que há de errado com um paciente que ele já diagnosticou. Ele coloca a resposta num envelope no qual escreve 'The game is a itchy foot', referindo-se a uma frase atribuída a Holmes 'The game is afoot', que por sua vez é uma citação de Shakespeare em Henry IV.
- Ao explicar o que acredita que seu paciente com afasia está realmente dizendo, House dá um enigma para sua equipe sobre um cômodo com vista total para o sul e um urso polar. Esse enigma foi o mesmo dado a Watson por Holmes.

Se você encontrar mais alguma referência de Sherlock Holmes em House, comente e nós incluiremos aqui com os devidos créditos.

Onde assistir?
TV a Cabo: Universal
TV Aberta: Record
DVDs: quatro temporadas já estão disponíveis. A quinta ainda não tem data prevista de lançamento, mas deverá estar nas lojas em breve.

Onde ler?
Se você ficou curioso sobre as aventuras do investigador inglês, elas podem ser encontradas tanto em contos individuais quanto em compilações. Os mais famosos são: O Cão dos Baskerville, Um Estudo em Vermelho e O Mistério do Vale Boscombe.

Curiosidades:
- O problema na perna de House foi inspirado em Watson e não Holmes.
- Os livros de Sherlock Holmes são contados pelo ponto de vista de Watson. Em entrevista à TV Guide, Hugh Laurie diz acreditar que é a visão de Wilson que traz o expectador para a história. Ele compara a narração de Watson sobre seu brilhante e irritante amigo, à visão mais centrada de Wilson na série.
- House ganha a segunda edição da obra de Conan Doyle como presente de Natal na quarta temporada.

Dados técnicos:
Duração: 5 temporadas até o momento, a sexta temporada tem início dia 21/09 nos Estados Unidos, mas ainda não tem data de estréia no Brasil
Total de episódios: 110
Criador: David Shore
Elenco principal:
Gregory House: Hugh Laurie
James Wilson: Robert Sean Leonard
Lisa Cuddy: Lisa Eldenstein
Eric Foreman: Omar Epps
Allison Cameron: Jennifer Morrison
Robert Chase: Jesse Spencer
Remy 'Thirteen' Hadley: Olivia Wilde
Chris Taub: Peter Jacobson

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tá Chegando a Hora...

Mês de maio significa o final das temporadas das principais séries da TV americana. Significa também que chegou a hora de dizer quem fica e quem sai das grades de programação. Como sei que hoje em dia já temos acesso também às séries que não passam nos canais brasileiros, vou incluir aqui uma lista de todas as canceladas. Aqui você vai encontrar desde clássicos como ER, adorados como Battlestar Galactica e absurdos como Osbourne: Reloaded, cancelado após apenas um episódio. Quer saber se sua série preferida escapou? Então cruze os dedos prá que ela não esteja na lista abaixo.

ABC
- According to Jim
- Boston Legal
- Cupid
- Dirty Sexy Money
- Eli Stone
- Homeland Security USA
- In the Motherhood
- Life on Mars
- Oportunity Knocks
- Pushing Daisies
- Samantha Who?
- The Unusuals

CBS
- Eleventh Hour
- The Ex-List
- Game Show in My Head
- Guiding Light
- Harper's Island
- Million Dollar Password
- Swingtown
- The Unit
- Without a Trace
- Worst Week

CW
- 13: Fear is Real
- 4Real
- Easy Money
- Everybody Hates Chris
- The Game
- In Harm's Way
- Privileged
- Reaper
- Stylista
- Judge Jeanine Pirro
- Valentine

Fox
- Are You Smarter Than a Fifth Grader?
- Do Not Disturb
- Don't Forget the Lyrics
- Hole in the Wall
- King of the Hill
- MADtv
- Osbournes: Reloaded
- Prison Break
- Secret Millionaire
- Sit Down, Shut Up
- TALKSHOW with Spike Feresten
- Terminator: The Sarah Connor Chronicles

FX
- 30 Days
- The Shield
- Testess

NBC

- America's Toughest Jobs
- The Chopping Block
- Crusoe
- Deal or No Deal
- ER
- Howie Do It
- Kath & Kim
- Kings
- Knight Rider
- Late Night with Conan O'Brien
- Life
- Lipstick Jungle
- Medium (retomada pela CBS)
- Momma's Boys
- My Name Is Earl
- My Own Worst Enemy
- Superstars of Dance
- The Tonight Show with Jay Leno

Sci Fi Channel
- Battlestar Galactica
- Charlie Jade
- Stargate Atlantis

Showtime
- The L Word

domingo, 17 de maio de 2009

Virados prá Lua

Maddie Hayes e David Addison. Esses são os culpados pelo início da minha paixão por seriados de TV. Quem tem mais de 20 anos, provavelmente se lembra de um dos seriados de maior sucesso aqui no Brasil numa época em que continuidade e respeito pelo telespectador por parte dos canais de televisão era um sonho distante.



A Gata e o Rato (Moonlighting) conta a história de uma modelo famosa (Maddie, interpretada por Cybill Shepherd) que leva um golpe de seu empresário e se vê à beira da falência. De seu patrimônio resta apenas a agência de investigações City of Angels. Diante de sua grave situação financeira, Maddie decide vender a empresa, que em seus três anos de operações nunca lhe rendera lucro algum, servindo apenas para obter descontos no imposto de renda. Ao visitar o escritório para comunicar sua decisão ao detetive encarregado do local, Maddie se depara com David Addison (Bruce Willis). Cínico, pretensioso e metido a garanhão, David não impressiona Maddie como pessoa, investigador e muito menos com suas tentativas de flerte. Esse primeiro encontro desastroso termina com David ofendendo Maddie que por sua vez lhe dá um tapa na cara. O que acontece a seguir é uma série de tentativas por parte de David para convencer Maddie a se juntar a ele na agência. É numa dessas tentativas que o nome da agência passa a ser Lua Azul (nome da linha de xampús pela qual Maddie ficou conhecida). Depois de muitas brigas e aventuras, ela finalmente cede e a partir daí David e Maddie passam a trabalhar em casos que íam de assassinatos a infidelidade conjugal e a agência pouco a pouco começa a funcionar como deveria e a conseguir novos casos.

No entanto, não são os casos e investigações a maior atração da série. As constantes brigas e tensão sexual entre os sócios são o tempero e o que realmente atraía o público. A química entre eles era inegável e o diálogo rápido e repleto de nuances e insinuações cativava e entretia sua audiência. Adicione-se aí a divertida Agnes Topisto com suas rimas e indiscrições e temos uma combinação de sucesso.

A crítica também foi conquistada pela inteligência discreta e muitas vezes despercebida da série. A Gata e o Rato não se limitava a gêneros e a convenções adotadas pela TV de então. Além disso, usava e abusava da metalinguagem. Em muitos episódios, os atores falavam diretamente com o público, ou deixavam o personagem, usando seus próprios nomes durante as cenas; era possível ver o cenário de gravações e equipe de filmagem, que chega a aparecer cantando uma música natalina durante 'O Episódio de Natal' (Twas the Episode Before Christmas) na segunda temporada.

A série usava tão bem da mistura entre mistério, drama, romance e comédia que era difícil categorizá-la, ficando conhecida como a primeira dramedy (drama+comédia). Para se ter uma idéia, ela foi a primeira sére a receber indicação de melhor direção em seriado tanto de drama quanto de comédia nos anos de 1986 e 1987 pelo Directors Guild of America. Para o Emmy, a série era sempre indicada na categoria drama, já o Golden Globes a classificava como comédia. Falando em premiações, a série recebeu inúmeras indicações e rendeu ao ator Bruce Willis o Emmy e Golden Globes de 1987 e à Cybill Shepherd os Golden Globes de 1986 e 1987. Até a música tema Moonlighting de Al Jarreau foi indicada ao Grammy em 1988.

Se nas telas A Gata e o Rato era muito bem sucedida, o mesmo não se podia dizer de seus bastidores. Desentendimentos entre os atores e produção (que culminou com a saída do criador da série Glenn Gordon Caron), a gravidez de Cybill Shepherd e a nova carreira cinematográfica de Bruce Willis foram alguns dos motivos que levaram à perda de qualidade em suas duas últimas temporadas e ao cancelamento da série. Existem rumores, o mais recente do começo desse ano, de que A Gata e o Rato poderia virar um filme e que ambos os atores estaria dispostos a fazê-lo, mas por enquanto não há nada de concreto.

Sem dúvida, uma das mais inovadoras e bem sucedidas séries de TV, ao completar 20 anos de cancelamento, A Gata e o Rato ainda é lembrada com carinho pelos fãs.

Onde assistir?
Atualmente a série não está na grade de nenhum canal de TV, mas o canal a cabo TCM prometeu voltar a exibi-la esse ano.
No Brasil estão disponíveis as 4 primeiras temporadas em DVD.

Por onde anda?
Bruce Willis: blockbusters
Cybill Shepherd: pequenas participações em seriados de TV
Glen Gordon Caron (criador): série Medium

Curiosidades:
- Não existe confirmação por parte de Glenn Gordon Caron, mas acredita-se que a série teria sido inspirada no filme "His Girl Friday" de 1940, estrelado por Rosalind Russel e Cary Grant.
- algumas das participações especiais de peso são Orson Welles (A Seqüência do Sonho/The Dream Sequence Always Rings Twice), Whoppi Goldberg (Camile/Camille), Pierce Brosnan (Encrenca em Profusão/The Straight Poop) e Don King (Sinfonia e Pancadaria/Symphony in Knocked Flat).

Dados técnicos:
Duração: 5 temporadas (1985-1989)
Total de episódios: 67
Elenco principal:
Madeline 'Maddie' Hayes: Cybill Shepherd
David Addison: Bruce Willis
Agnes Topisto (ou no original Agnes Dipesto): Allyce Beasley
Bert Viola: Curtis Armstrong