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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Som que vem dos nervos

Imagine misturar samba, forró e ritmos com o som do Japão, Bolívia e Paraguai. Difícil? Pois o músico, maestro e compositor Livio Tragtenberg não só misturou, como percebeu nas ruas de São Paulo uma trilha sonora pra lá de original.

Formada por 17 artistas populares, anônimos e imigrantes que tocam nas ruas, praças e nas estações de trem e metrô da cidade, Livio montou a Neuropolis, Orquestra dos Músicos das Ruas de São Paulo.

A música que carrega os mais variados sons e instrumentos, apresenta uma diversidade enorme, contida na bagagem de cada integrante. É possível ouvir desde sambas acompanhados por harpa paraguaia até forrós balanceados ao som de guitarón (contrabaixo mexicano) e da flauta boliviana. Sem contar emboladores e repentistas improvisando da batida do koto - instrumento de tradição japonesa.

Segundo Livio “esses músicos são como nervos do corpo humano, estão ocultos, mas por eles transitam alma e sensações nervosas. Isso explica origem de neuro-polis que significa cidade dos nervos” afirma o maestro.

O projeto virou um CD que não deixou de homenagear à condição dos seus integrantes: Toda mistura de raça aqui em São Paulo tem/ em qualquer hora do dia é o maior vai e vem/São Paulo é a capital que não para de crescer/ vem gente de todo canto para em São Paulo viver.

Com muito humor e swing estão combinadas as diferentes fontes e raízes musicais que formam um mosaico circulante na cidade. Uma experiência um tanto agradável para quem gosta de música popular brasileira.


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Flip – Paraty aqui vou eu...


Está chegando o dia tão esperado. Dia 04 de julho estou rumando à Paraty. Finalmente vou ter a oportunidade de participar da FLIP Festa Literária de Paraty.

O ano passado, nesta mesma época, só que aqui em São Paulo e fui na FLAP – Festa Literária Alternativa que acontece ali no centro da cidade.

Os Satyros assim como a Praça Roosevelt tem tudo a ver com o evento. Um monte de gente interessante e divertida. Artista de rua, escritores da literatura marginal, poesia e romance, tem de tudo. Para todos os gostos!

Eu não sei exatamente quando acontecerá esse ano, ouvi rumores que será dia 01 de agosto, mas não sei ao certo. Seria bom se fosse essa data mesmo. Assim posso desfrutar das duas.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quando a Vela apagar...

Já se passaram 50 anos desde que o “poetinha” Vinícius de Moraes, soltou a incongruente afirmação de que “São Paulo é o túmulo do samba”. Quem sou eu para contestar Vinícius, mas desde aqueles tempos eu acredito que ele estava equivocado. Veja bem “equivocado”, pois já nos anos 50 tínhamos compositores de primeira categoria, cordões carnavalescos e escolas de samba férteis não só em seus sambistas, mas nos seus sambas. Claro que nada se compara ao Rio de Janeiro daqueles tempos, mas nada que também possa desprezar os sambas que aqui nasceram e ainda hoje sobrevivem.


E para contrariar um dos poetas mais respeitados da música brasileira, hoje podemos estufar o peito e dizer que esta frase de Vinícius é que está enterrada.


Uma prova disso é o Samba da Vela.

A origem da Comunidade Samba da Vela é quase um poema. Melhor, é digna de enredo de escola de samba. Surgiu por iniciativa quatro jovens compositores da periferia de São Paulo, munidos de cavaquinho, pandeiro, tamborim e muita força na voz, que se reuniram no bairro de Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo, para cantar seus próprios sambas e abrir a roda para que novos compositores pudessem apresentar suas criações também.


Aos poucos, mais amigos se juntaram ao grupo e a empolgação, que durava toda a madrugada. Não demorou muito para ganhar um novo protagonista: a vela. Colocada no centro da roda, ela funciona como um relógio, e dita os rumos do encontro, daí o nome do grupo. Enquanto o pavio queima, sambas inéditos são apresentados, mas, quando a vela apaga, o silêncio toma conta do lugar e todos encerram a mostra de sambas.


O conceito desse projeto segue os passos dos sambistas do passado como Candeia, por exemplo, e ajuda a formar idéias, cultura e arte. Tá certo que o samba tem a cara do Rio de Janeiro. No entanto, apesar de todo o glamour do samba carioca, o samba paulista tem sua importância e valor, é por isso que O Samba da Vela, Quinteto Branco e Preto, Eduardo Gudin, Geraldo Filme, Adoniram entre outros merecem nosso total respeito.


Quando a vela se apagar e o samba terminar
Saudade não me deixe ir embora
Meu peito vazio implora
Que uma luz me ilumine agora!
Chora, chora
A comunidade chora, a comunidade chora

A Comunidade Chora
Compositores: Magnu Sousá/Maurílio de Oliveira/Edvaldo Galdino



domingo, 20 de abril de 2008

O samba do amor do sorriso e da flor

Hoje dia 20 de abril se comemora o dia do disco. Alguns dias atrás neste mesmo blog, publiquei um post falando sobre a trilha de nossas vidas. Não é novidade pra ninguém que sou amante incondicional da música popular brasileira.

Não por acaso, trabalho com pessoas que me possibilitam conhecer um pouco mais esse universo tão encantador. Neste mês de abril fiz uma matéria sobre o show “A noite do amor, do sorriso e da flor”. Para quem não conhece, ou nunca ouviu falar, na anunciação de Ronaldo Bôscoli, foi considerado o primeiro show de Bossa Nova.

Aconteceu no dia 20 de maio de 1960 no anfiteatro da Faculdade de Arquitetura, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Com participações de grandes nomes da nossa música, o destaque e as atenções estavam voltada para João Gilberto, que lançava nas rádios clássicos instantâneos como: Samba de uma nota só, Corcovado, O pato entre outras. Além dele apresentou-se também Nara Leão, Nana e Dory Caymmi, Luiz Carlos Vinhas, Roberto Menescal e Chico Feitosa, e os paulistas na época desconhecidos, Sérgio Ricardo, Johnny Alf, Pedrinho Mattar e Caetano Zama.

Muitos sabiam que o anuncio de Bôscoli era uma resposta a outro show que acontecia no mesmo dia, só que na PUC. Bôscoli e Carlos Lyra vinham se desentendendo desde que Lyra gravou um disco solo com a Philips abandonando os companheiros da bossa. Ate então ante de Lyra pular fora, todos estavam em um projeto de gravar um disco com a gravadora Odeon.

Os dois shows lotaram. Mas foi o pessoal da faculdade de arquitetura que se deu bem. Assistiram um dos maiores espetáculos já feito em nome da bossa nova.

Pegando carona nas festividades dos 50 anos de bossa nova, quero lembrar não só o disco de João Gilberto: O amor o sorriso e a flor, com direção musical de Antonio Carlos Jobim, mas a música que foi considerada divisão de águas na história da musica brasileira: Chega de saudade.

A matéria contando detalhes deste dia será publicada na Revista Almanaque Brasil de Cultura Popular do mês de maio, mas brevemente publicarei no meu outro blog www.ensaiospossiveis.blogspot.com.


quinta-feira, 17 de abril de 2008

A trilha sonora de nossas vidas


Hoje reencontrei uma colega que não via há anos. Após cumprimentos e abraços a primeira coisa que me falou foi: - Sempre me lembro de você quando escuto aquela música do Chico Buarque.

Tenho amigos que consigo imaginar de olhos fechados através da música. Dos sambistas “Portela já disseram que teu manto....” aos que ainda sobrevivem aos anos 70, “I say a little prayer for you....” e até aqueles que insistem em dizer: Toca Raul!

Isso sem contar os momentos. Quem é que naqueles bailinhos tão esperados do colégio não dançou ao som de Johnnie Rivers, “Do You Wanna Dance...”, a música é de 68, mas até hoje é executada. Nos deliciosos bailes de formatura, nunca vi nenhum homem ficar parado quando toca Y.M.C.A. E o coro dos formandos quando toca "We are the champions".

Ficaria aqui por horas contando a trilha da minha vida. Ela começa lá atrás com Noel Rosa, passa bela bossa nova de Nara, Chico, Jobim, passa pela Tropicália, as latinas, as infantis, americanas. Enfim, são apenas trilhas que acompanham nossas vidas, que nos fazem lembrar otrora sermos lembrados.


quarta-feira, 9 de abril de 2008

Caminate no hay camiño


Toda terça feira eu acordo com uma tremenda vontade de que chegue logo o fim do dia. Enganam-se aqueles que pensam que terça feira para mim é um dia ruim. Muito pelo contrário. É dia de espanhol.

Hoje além de estudar a língua eu conheci um pouco mais desta cultura, diga-se de passagem, muito interessante. Juan Manuel Serrat, segundo minha professora é considerado um Chico Buarque da Espanha. É claro que não precisou muito para me interessar. Pra mim é Deus no Céu e Chico na terra rs...

Cantares... (Joan Manuel Serrat -Antonio Machado)

Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse...

Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."

Golpe a golpe, verso a verso.


***
Antonio Machado (1875-1939) foi um dos poetas mais importantes da Espanha. Conta a história que ele lutou o quanto pode pelo seu país. Exilado, assim que pisou fora da Espanha morreu de desgosto e tristeza. Em 1969 Joan Manuel Serrat edita um disco, que alcança grande repercussão social, onde põe música em alguns poemas de Antonio Machado. Em 1971 aparece “Mediterráneo”, um dos seus álbuns mais importantes. Um quarto de século depois, a canção que dá o titulo ao disco e foi eleita a melhor canção espanhola da segunda metade do XX.

terça-feira, 25 de março de 2008

Dengue no Rio de Janeiro



Quando viajei para o carnaval no Rio de Janeiro, pensei em tomar a vacina contra a febre amarela. Mas o que não me faltou foram pessoas dizendo que era bobagem, exagero. Os jornais noticiavam que não havia epidemia, o que exista eram casos isolados e tudo estava sobre controle.

Pois bem, hoje cheguei mais cedo do trabalho e assistindo o Jornal Nacional fiquei perplexa. Os casos de morte registrados no estado do Rio pela dengue não são poucos. E pior, muita criança carioca morreu desse mal.

Coincidentemente a febre amarela também é uma doença transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti.

Lendo alguns jornais sobre o assunto me deparo com o seguinte parágrafo que saiu hoje na Folha on line "Em tese, era de se esperar que não houvesse nenhum caso de morte", disse o médico clínico e infectologista da Fiocruz Antonio Sérgio da Fonseca. "Havia um despreparo completo da rede de saúde do Rio".

Aí eu me pego pensando: O que é que estão fazendo as autoridades responsáveis pela saúde pública, onde está o dinheiro dos nossos impostos, cadê o comprometimento com o povo brasileiro?

Não queria terminar o texto assim, mas quantas epidemias serão necessárias até que alguém olhe para saúde pública?

Sem mais,

domingo, 23 de março de 2008

Um pouco de tudo que vi ...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar...

Para quem sentiu minha ausência nesses últimos dias os versos de Cartola e Candeia explicam. Estou por ai a procurar coisas novas.

A última que encontrei foi um trabalho de um pessoal bem bacana que ousa a fazer o que pouca gente tem coragem. A idéia surgiu entre amigos, assim como este Blog, e tem dado frutos bem bacanas.

A receita está na descrição do site chamado Música de Bolso. Lá eles unem musica e cinema com canções gravadas em locais inusitados. Você já imaginou Arnaldo Antunes tocando um violão dentro de um buraco? E a Mart’nália tocando e andando pelos corredores de um de hotel? Pois bem, eles fizeram isso.

A idéia é ótima e o trabalho muito criativo.

Esse é só um dos meus achados....

Antecipando as novas mudanças de COMTATOS, toda terça feira passo a relatar novas notícias desse mundo sem fim.

Até mais,

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Festa no Ipiranga


O jardim do Museu do Ipiranga foi projetado no início do século XX e serviu de inspiração para a obra do espanhol Salinas Y Tureal (1869- 1923) , chamada de Festa Escolar no Museu do Ipiranga. A tela de 1912, se encontra na Pinacoteca do Estado. Vale a pena conferir!

Imagem: Arquivo/Nara

domingo, 20 de janeiro de 2008

Anjo de Pernas Tortas


Não sou exímia conhecedora do futebol, mas não poderia deixar de lembrar os vinte e cinco anos de morte de um grande craque.

Mane Garrincha com suas pernas tortas encantou o mundo com seu estilo original de jogar, com seus dribles abusados e zombeteiros, com sua velocidade desconcertante e com suas jogadas ao mesmo tempo divertidas e belíssimas, até então nunca vistos em outro jogador.

Participou da Copa de 1958, e fez bonito quando Pelé com uma contusão não jogou pela disputa da Copa de 1962.

Carlos Drummond de Andrade disse: Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios.

Jogou no Botafogo, Corinthians, Flamengo, Atlético Junior na Colômbia e em outros times.
Entretanto sua vida esbarrou no pior obstáculo de um atleta, o álcool. O craque injustiçado pelo próprio povo que o aplaudiu no auge de sua carreira foi esquecido por todos.

Não posso deixar de comentar que a famosa cantora Elza Soares, foi uma das batalhadoras contra esse mal. Com um amor maior que o mundo, fez de tudo, até dar um filho homem ao craque e colocá-lo em xeque mate. Ou a bebida ou seu filho. Até então Garrincha só tinha filhas mulheres.

Mas nem esse motivo não foi suficiente para ele vencer a bebida. O alcoolismo, doença de fato e discriminada como fraqueza, fez dele sua vítima e, de forma cruel, ajudou a calar a torcida com o fim de seus dribles desconcertantes.

Morreu em 20 de Janeiro de 1983, num tempo em que jogar futebol era muito mais que contratos milionários.

Recomendo o livro de Ruy Castro, pois foi através desta deliciosa leitura que tive o prazer de conhecer Garrincha e lamentar a perda desse incrível jogador e o fato de não poder ter conhecido seu futebol.

Comtato recomendado: CASTRO, Ruy. Estrela Solitária - Um Brasileiro Chamado Garrincha. Companhia das Letras, 1995.

Filme: Garrincha - Estrela Solitária (2003). Baseado no livro Estrela Solitária - Um Brasileiro Chamado Garrincha de Ruy Castro.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Juízo Final

"Se o homem soubesse amar não elevaria a voz nunca, jamais discutiria, jamais faria sofrer. Mas ele ainda não aprendeu nada. Dir-se-ia que cada amor é o primeiro e que os amorosos dos nossos dias são tão ingênuos, inexperientes, ineptos, como Adão e Eva. Ninguém, absolutamente, sabe amar. D. Juan havia de ser tão cândido como um namoradinho de subúrbio. Amigos, o amor é um eterno recomeçar. Cada novo amor é como se fosse o primeiro e o último. E é por isso que o homem há de sofrer sempre até o fim do mundo - porque sempre há de amar errado."

Nelson Rodrigues - Morrer com o ser amado - 1968

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

"To te explicando pra te confundir, te confundindo pra te esclarecer"

Faço minha estréia neste espaço virtual chamando a atenção para um depoimento de uma das figuras mais conhecidas no cenário musical brasileiro.


Falo de Antônio José Santana Martins. Um compositor, cantor, arranjador e ator brasileiro.


Apresentado assim quase ninguém deve ligar o nome a pessoa, mas falo de Tom Zé, considerado um dos artistas mais originais da Música Popular Brasileira.


Esse baiano de Irará sempre com novidades inesperadas, me surpreende agora falando sobre o funk carioca e sua complexidade musical. Vale a pena ver como ele discorre sobre o polêmico gênero que surgiu no Rio de Janeiro e ganhou força nacional na batida de “to ficando atoladinha”, além de citar teorias de Adolphe Appia sobre o teatro e de como ele aproveita essas informações para seu novo trabalho. Segundo Tom Zé, o funk surgiu para substituir o Papa Bento XVI, Caetano Veloso, Gilberto Gil e ele próprio. Confirmando que o gênero visto com tanto preconceito lhe serviu até de inspiração.


Devo confessar que não sou adepta do funk, mas não posso negar que depois deste vídeo Tom Zé como sua própria composição diz, me confundiu, talvez seja para me esclarecer.