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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quadrinhos Marginais – 40 anos de muitas glórias

De 21 de outubro de 2009 até 28 de fevereiro de 2010 ocorre a mostra comemorativa dos 40 anos dos quadrinhos marginais. O evento teve em sua inauguração, no dia 17/10, uma palestra significativa com a presença de João Gualberto Costa (Gual); do cartunista Marcatti; Will (Quarto mundo) - e Tiago Judas (Sociedade Radioativa), que na oportunidade descreveram como foi o desenvolvimento das obras underground no Brasil, traçando um paralelo com o resto do mundo e a sua influência e representatividade no Brasil.

Para Will, do Quarto Mundo, um coletivo de quadrinistas independentes, “seria ótimo se o autor ficasse só desenhando. Mas, atualmente, você tem que entender do processo de impressão e fazer a sua revista na unha. Ir atrás de patrocínio, gráfica e distribuição.” Ele explica que o Quarto Mundo é um coletivo de autores que se auto-produzem, primando para manter a diversidade de cada um preservada. “O independente não é só uma necessidade é mas do que isso, é um fundamento.”, afirma.

Marcatti completa que o Brasil pode não ter volume de publicação, mas tem diversidade de autores e uma produção de HQ extremamente criativa. “Se tomarmos as rédeas da produção, nos tornaremos vitrine”, diz o quadrinista.

“O bom da cena independente é que as pessoas não se copiam. Elas seguem a própria criatividade. E isso só tem a somar para a diversidade do quadrinho brasileiro”, conclui Will.

Na exposição, há diversas imagens, sendo algumas marcantes no mundo do quadrinho marginal, exibindo-se capas, páginas internas, heróis e anti-heróis, balões, vinhetas, traços famosos e presentes nas mais diversas revistas, como a Boca, Balão, Lodo, Capa, Meia de Seda, Papagaio, As Aventuras de Robert Crumb, Freak, Zap (Acervo da Gibiteca Henfil).

Os quadrinhos marginais começaram a ser publicados nos Estados Unidos no final dos anos 60, tendo a revista Zap Comix, como marco inicial, sendo esta obra publicada e editada por nada mais, nada menos, do que o grande e lendário Robert Crumb. (Aliás, Robert está com uma nova obra a respeito do antigo testamento, mais precisamente sobre o Éden. O material está, surpreendentemente, entre as mais vendidas revistas de HQs nos Estados Unidos, no mês de outubro de 2009.)

Nos anos 70, os quadrinhos marginais tiveram enorme destaque no Brasil, uma vez que na época, diante da ditadura militar que governava o País, eram as referidas revistas o principal crítico aos desmandos o qual eram expostos o público. Quem não se lembra de Henfil, com seus marcantes personagens, como o Fradin, que criticava, de forma corajosa os poderosos que governavam o País?!

Já nos anos 80 e 90, os quadrinhos marginais brasileiros se tornaram referência tanto pela sua criatividade, como pelo seu censo crítico, sendo cultuados, e, por que não copiados por outros ramos dos quadrinhos. Não é por demais dizer que todos os elogios são todos merecidos, portanto, vida longa à marginalidade.

Muitos foram os talentos revelados pelos quadrinhos marginais, artistas importantes, gente graúda como o Laerte, Mutarelli, Angeli, os irmãos Caruso, dentre muito outros. Sua importância para o desenvolvimento dos quadrinhos nacionais é essencial. Portanto, uma visita à mostra, para os apaixonados pelos quadrinhos, é sem dúvida missão obrigatória para o próximo fim de semana livre.


*P.S: Texto escrito por Carlos Alberto e Nathalya Buracoff em visita à Gibiteca Henfil no centro Cultural São Paulo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Royal straight flush


Cultura pode ser definida como um conjunto de padrões de comportamento, conhecimentos e costumes que distinguem um grupo social. Existem diferentes tipo de cultura em todos os setores da sociedade: cultura erudita, cultura popular, cultura artística, contracultura... A cultura está tão presente no nosso cotidiano que, às vezes, nem sabemos se determinado assunto é ou não cultura, como é o caso do (querido) baralho. O antigo jogo de 52 cartas é um marco em uma das mais tradicionais e dominantes manifestações da cultura moderna: a cultura de boteco.

Mesmo quem não bebe sabe jogar baralho. E mesmo antes de aprender a beber, você já sabe jogar baralho. Comigo foi assim. Comecei com um inocente jogo de vinte e um ou pif paf para espantar o tédio nos dias chuvosos em família na praia. Quando menos esperava, já estava cabulando aula para jogar truco com a galera. Agora, faço parte do tradicional torneio de tranca realizado nos churrasco dominicais no Guigo´s Bar, digo, na casa do meu avô.

Como a cultura une as pessoas, baralho também é cultura. Este fim de semana aprendi a jogar Uno com meus primos. Ficamos até altas horas no carteado, quando me lembrei que já sabia jogar uno, mas no baralho, conhecido como mau-mau, que segue as mesmas regras, mas as cores são representadas pelos naipes e as cartas especiais são representadas pelo rei, dama, valete e às.

Confesso que a jogatina estreitou o ComTato com os priminhos e deixou minha madrugada muito mais alegre.
As origens do carteado
Como toda manifestação cultural tem seu desenvolvimento marcado ao longo da história, o baralho também está há séculos entretendo o povo. Há relatos de que os jogos de cartas surgiram na China, em meados do século X. Depois de 400 anos, chegou a vez da Europa conhecer o jogo, levado pelos árabes, que adaptaram o baralho chinês. Já o baralho moderno mais usado nos países lusófonos possui 52 cartas, divididas em 4 naipes com 13 cartas. Sua origem é datada do século XVI, na França. Naquela época, vários países europeus tinham suas versões dos naipes, mas como os logotipos franceses eram mais simples, ganharam popularidade e foram adotados em outras nações. Hoje, os naipes são uma mistura das versões espanhola e francesa: os nomes dos naipes vieram do espanhol, mas os símbolos são franceses.

As cartas nobres existem desde que os árabes incluíram pessoas da corte no baralho. No baralho atual, as personagens são francesas: o servo real, valete (V), dama (D) e rei (R), porém, representadas com letras do baralho inglês: J ( Jack = valete, em inglês), Q ( Queen = rainha ) e K ( King = re)i. Acredita-se que cada figura representa um personagem em especial. O rei de ouros é a figura de Júlio César, o rei de Espadas seria Davi, o rei de Copas representa Carlos Magno e o rei de paus Alexandre, o Grande. (mais aqui)

Já para o coringa há duas teorias: a de que ele seria o “louco”, carta do baralho italiano sem naipe ou número; ou que teria origem inglesa, datada do século 19, oriunda de carta “imperial bower”, que triunfa sobre todas as outras.

Diversas expressões na nossa língua refletem a forte influencia do baralho, como o título de “carta fora do baralho” ou o ato de “descartar”. Aliás, dizem os irrefutáveis teóricos de boteco que a palavra “descartar”, que traduz uma ação muito usada em jogos de baralho, é oriunda do filósofo e matemático René Descartes, tido como o fundador da filosofia moderna e pai da geometria analítica e do sistema de coordenadas. Reza a lenda que Descartes, então com 22 anos, teria desenvolvido os pilares de suas teorias em meio às intermináveis noites de carteado nos antigos bares de Paris.

Amantes das cartas

Popularizado no mundo todo, o baralho virou marca registrada de diversos personagens, como mágicos e ilusionistas que fascinam suas platéias com truques em suas cartas. Os quadrinhos e suas adaptações para o cinema também retratam personagens amantes do baralho como Coringa, vilão e quiçá alter-ego de Batman, e o mutante Gambit de X-Men.

O jogo de baralho mais popular no mundo moderno é o pôquer, comumente jogado em cassinos. O pôquer tem torneios internacionais, movimenta cifras gigantescas e seus jogos são até televisionados. Mas longe do glamour do jogo de fichinhas, aqui nos bares de Sampa, o jogo mais comum é o truco, que geralmente é acompanhado de alguns sinais característicos (como piscadelas e mostradas de língua), doses de cerveja e frases como “Seis, ladrão!”, ditas em alto e bom som com a finalidade de provocar o adversário. E você, qual seu jogo de baralho predileto?

*P.S: Royal straight flush é a jogada mais valiosa do pôquer (foto inicial)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Vale a pena o Vale-Cultura?

Você já deve ter ido ao restaurante na hora do seu almoço e pago com seu ticket refeição, ou até mesmo ido ao supermercado e pago com seu ticket alimentação. O Governo Lula pretende implantar um novo ticket para os cidadãos, será o Vale-Cultura. Mas será que vale a pena?

Para analisarmos isso de uma forma mais simples, vamos estipular uma comparação: imagine que a internet fosse criada hoje, com toda a modernidade possível, com todos os recursos que já temos, e toda a população jamais tivesse tido contato com ela, e de repente a internet é disponibilizada para TODOS.

O que teríamos seria um bocado de gente tentando entender do que se trata, sem saber como usar, e muito provavelmente a grande maioria estaria utilizando de maneira errada este recurso. Pois bem, ai você me pergunta: o que isso tem a ver com o vale-cultura? e eu te respondo: tudo!

Isso porque, este programa pode estar disponibilizando a cultura para pessoas que não entendem a cultura como ela realmente é, desenvolvendo o intelecto e formando uma sociedade, e não quero passar aqui a imagem de que eu seja mais capacitado que qualquer outra pessoa que possa receber o auxílio, e na verdade o que eu quero dizer é antes de chegarmos a dispor ao público esse tipo de acesso, temos que primeiro prepará-los, com a educação de qualidade que o povo em sua totalidade merece.

Segundo o site do próprio Ministério da Cultura o Vale-Cultura funcionará assim:

"Trata-se de um cartão magnético, com saldo de até R$ 50,00 por mês a ser utilizado no consumo de bens e serviços culturais. As empresas que declaram Imposto de Renda com base no lucro real poderão aderir à iniciativa e posteriormente deduzir até 1% do imposto devido.
O Projeto de Lei que institui o Programa de Cultura do Trabalhador e cria o Vale-Cultura foi encaminhado ao Congresso Nacional por meio da Mensagem Presidencial nº 573, com pedido de tramitação em regime de urgência urgentíssima."


Fiquei indignado com duas coisas: primeiro a "urgência urgentíssima" que pra mim dá a impressão de fins eleitorais e em segundo lugar o próprio programa em si sugere uma troca infeliz, pois com esse dinheiro poderíamos incentivar a cultura de outra maneira: educando! Gilberto Dimenstein, ontem, em sua coluna para o Catraca Livre foi mais adiante e relatou que nós, contribuintes, pagaremos por isso!

E continuamos com o programa de assistencialismo do governo, onde diminui-se o valor das coisas cobrindo buracos ao invés de refazer a estrada. O bolsa-família é um exemplo onde o valor da dignidade é substituído pela assistência "dada" pelo governo, e que acaba gerando um papel que outros setores deveriam preencher, como o Ministério do Trabalho, incentivando a criação de postos de trabalho, colocando a disposição desta população empregos ao invés de entregar o dinheiro. Finalizando, o empresariado acaba tendo que tomar as mesmas medidas, quando oferece assistência médica, pois a saúde pública é deficitária ou quando oferecem vale alimentação, pois o salário é baixo pois paga os impostos atrelados a empregabilidade deste cidadão. Em outras palavras vivemos num país que cobre a cabeça e descobre os pés!

PS.: Coloco aqui, neste espaço, a minha opinião, talvez não seja de todos do blog.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Vini, Vidi, VIK

Os paulistanos têm até este domingo (19) para conferir a mostra VIK, do artista plástico e fotógrafo paulistano Vik Muniz, em cartaz desde 24 de abril, no MASP. A mostra traz 131 trabalhos realizados entre 1988 e 2008 e revela um panorama da produção do artista radicado em Nova Iorque há 25 anos.

foto: Ronaldo Junior (Homenagem a Vik Muniz)

Vik Muniz atraiu a atenção da comunidade artística internacional com fotografias de trabalhos realizados a partir de técnicas variadas e materiais inusitados - como a Mona Lisa feita de pasta de amendoim, o Che Guevara desenhado em geléia ou o retrato de Elizabeth Taylor montado a partir de centenas de pequenos diamantes.

Mas quem nunca desenhou no prato com ketchup? Ou, à espera de mais batata frita, não brincou de fazer smiles com mostarda? Todo mundo já seguiu a ideia do artista, mesmo sem grandes pretensões.

Pois bem, a originalidade de Vik Muniz está exatamente em levar às grandes galerias e museus algo diferente das obras conceituas que intimidam os visitantes. Ele mostra uma arte que, mesmo possuindo uma criação repleta de detalhes, é simples, criativa e de fácil compreensão pelos visitantes. Qualquer pessoa pode ser surpreendida pelas grandes obras do artista – e não é força da expressão, a mostra traz retratos de até 3 metros de altura. Quando esteve no Rio de Janeiro, a mostra reuniu um público heterogêneo formado por internos de instituições psiquiátricas, catadores de lixo, detentos de Bangu, jovens do Complexo do Alemão e da Cidade de Deus, assim como profissionais do mercado de arte e representantes da classe média carioca.

Os detalhes das obras de VIK foram ampliados de maneira que é possível reparar nos objetos encontrados no lixo que formam as fotografias da série Pictures of Garbage, feita com a colaboração dos catadores do Aterro Sanitário de Gramacho, no Rio de Janeiro, o maior da América Latina.

Segundo Vik, “Minha intenção inicial é conseguir uma reação física do espectador, atraí-lo, cativá-lo. A partir do momento em que consigo isso, posso comunicar a informação que quero passar. Meu sonho é mudar a forma elitista com a qual a arte é encarada. Não acredito na separação entre o popular e o inteligente, como se fossem coisas antagônicas.”

Um detalhe, que para alguns pode passar em branco, são as duas frases estampadas em letras garrafais nas paredes do MASP: “O cérebro não colhe idéias no canteiro do ócio. É, sobretudo, pela interação com o material, pelo trabalho, pelo esforço e, em última instância, pelo fracasso, que nós nutrimos nosso banco de idéias” e “Acredito que nem todas as pessoas sejam artistas, mas todas que desejarem ser possuem tudo o que o mundo tem a oferecer para que, um dia, elas se tornem. Se eu pude, qualquer um pode."

Sou muito ligada a frases e citações e acredito que as duas sentenças acima traduzem um pouco da história e da obra do artista. Aplicando na minha vida, vejo que os pequenos ensinamentos de Vik fazem sentido. Afinal, se não fosse pela repetição, por insistir em traduzir meu pequeno universo em forma de cultura, aqui neste blog, eu não teria porque escrever. E é justamente escrevendo, cada vez mais, que eu posso escrever cada vez melhor. O mundo está aí, cheio de arte, cultura e pessoas interessantes para trocar experiências de vida conosco e o conhecimento é uma questão de tato, entrar em contato, ou melhor, ComTatos.


Exposição ‘Vik’
Retrospectiva com 131 obras do artista plástico Vik Muniz
Realização e coordenação: Aprazível Edições e Arte – Leonel Kaz e Nigge Loddi
Patrocínio: Bradesco Seguros e Previdência
Exposição: de 24 de abril a 19 de julho
Horário de visitação: terça a domingo e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Ingresso: Inteira – R$ 15,00, Estudantes - R$ 7,00, Menores de 10 anos e maiores de 60 anos – Gratuito
Às terças-feiras a entrada é gratuita.

Local: Museu de Arte de São Paulo – MASP
Endereço: Av. Paulista, 1578
Telefone: (11) 3251 5644
Classificação etária: livre
Estacionamento pago no local
Acesso a deficientes

sábado, 16 de maio de 2009

O pilantra do Patropi



Está nos cinemas o documentário "Simonal, Ninguém Sabe o Duro que Dei", dirigido por Claudio Manoel , Micael Langer e Calvito Leal, uma obra belíssima do cinema brasileiro documental que relembra os grandes sucessos do músico, seu sucesso e popularidade, sua triste derrocada rumo à amargura do ostracismo e a consequente repulsa da qual foi vítima.

Assisti ao filme no Projeto Folha Documenta, no Cine Bombril. Na heterogênea plateia estavam presentes jovens que, assim como eu, provavelmente só ouviram falar de Simonal após o sucesso dos filhos do cantor, Max de Castro e Wilson Simoninha. Haviam também senhoras que gastaram a sola nos bailinhos embaladas pelas canções dele. Eu não conhecia metade da vida do Simonal e fiquei boquiaberta com o primor que os diretores tiveram para colher os depoimentos e contar uma história tão envolvente quanto polêmica.

O filme é claramente dividido em duas partes. A primeira conta como o cantor se transformou na maior voz da música brasileira, rivalizando com Roberto Carlos, mostra o sucesso de seu programa na Record, Show em Si...monal, e retrata a adoração do público que fez o cantor ser vislumbrado pelo sucesso. Já a segunda mostra sua queda rumo ao esquecimento.
Afinal, um negro, pobre, filho de empregada doméstica e ex-cabo do Exército se transformou em um dos maiores cantores e apresentadores de tv nos anos 60, sua influência e talento ultrapassou a esfera nacional e o cantor chegou a dividir com a diva do jazz Sarah Vaughanah a canção “The shadow of your smile" (pena que no Youtube não tem o selinho entre os dois retratado no filme).

Simonal era um negro, filho de empregada doméstica, que ganhou status e virou um bon vivant, degustava dos prazeres da vida e só queria saber de “Alegria, alegria!”. Em uma época de rivalidades ideológicas, o cantor não tomava partido contra ou a favor da ditadura. Por ser imparcial, era odiado pela direita ao deixar de combater os comunistas, e pela esquerda por cantar o “País Tropical”, de Jorge Ben e não se rebelar contra o governo, o sucesso de Simonal era traduzido como o ópio do povo. Entretanto, ele pagou um preço alto por ter tanto sucesso.

Dura pena
O tormento de Simonal começa quando o cantor afirma ter sido roubado pelo seu contador Raphael Viviani e convida uns amigos para dar uma lição neste cara. O problema é que esses amigos eram do Dops. O grande diferencial do filme é que retrata o depoimento do próprio Viviani que conta, tardiamente, o seu lado da história. Quando levado para a delegacia acusado de ter sequestrado e torturado Viviani, Simonal fez uso da malandragem e comete o erro de dizer que atuava ao lado do governo. Então, a mídia e a classe artística tiveram um prato cheio para destruir o maior ícone da atual MPB.

Nesta hora, por não ter um círculo de amigos musicais influentes, como os integrantes da Tropicália, ele se viu sozinho e condenado ao esquecimento e o povo o abandonou ao ler as notícias de seu envolvimento com a mão de ferro da ditadura, publicadas pelo Pasquim de Ziraldo e Jaguar, (figuras que dão importantes depoimentos no filme). Para alguém tão acostumado com o sucesso, a partir daí começa a surgir a depressão, o alcoolismo e a overdose de ostracismo, que culminou no seu falecimento, em 25 de junho de 2000, aos 62 anos, por conta de uma doença hepática crônica.

O duro que eles deram
O documentário revira histórias polêmicas, mas fica longe de ser uma defesa de Simonal. O filme dança com o espectador, levando-o de um lado ao outro da história, sem tomar partido, deixando que o próprio público tire suas conclusões.

No debate do Cinebombril, o “casseta” estreiante na direção, Claudio Manoel relata as dificuldades percorridas na batalha para fazer o filme. Tanto é que o longa tem um patrocinador que preferiu ficar anônimo, graças a polêmica de Simonal. Isto retrata, como o cantor é mal visto até hoje.

Claudio Manoel acredita que, assim como o nazismo, as atrocidades cometidas durante o período ditatorial devem ser contatadas, sob pena de não voltarem a acontecer, porém o diretor afirma que Simonal pagou muito caro e por um crime que não cometeu. O diretor também chama atenção para o fato de que o caso Simonal ter sido a única denúncia de tortura do Dops imune das garras da censura e divulgada livremente pela imprensa durante o governo ditatorial. O incrível é que anistiamos gente que cometeu atos desumanos durante o regime, mas o fantasma de delator não saiu de Simonal até os dias de hoje.

Perdão tardio
Agora, o filme dá o pontapé inicial para o revival de Simonal. Em breve, o longa sairá em DVD, haverá dois livros sobre a vida do cantor e o relançamento da caixa "Wilson Simonal na Odeon: 1961-1971" pela EMI, que conta com um disco inédito.

O diretor Claudio Manoel , no blog do filme, “São mais de 6 anos de muita rala, suor, paixão, expectativas, apostas, dúvidas, etc e tal… e tudo vai ser decidido nesse próximo fim de semana”. Muita gente já compareceu engrossando a anistia tardia ao “Simona”, como a escritora Ivana Arruda Leite e eu confesso que, mesmo engrossando as estatísticas de desempregados deste país, pretendo seguir a dica do Sérgio Rizzo e deixar de lado Anjos e Demônios, de Ron Howard, e Desejo e Perigo, primeiro longa-metragem de Ang Lee depois de O Segredo de Brokeback Mountain, para prestigiar a obra novamente. E você, vai ficar de fora?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Brasil: um país de leitores

Eu sou a favor da democratização da cultura e da troca de conhecimentos e experiências. Mas ao contrário do que muita gente pensa, para ampliar o acesos à cultura não é preciso nenhum esforço descomunal de governos, prefeituras, entidades. Alguns pequenos gestos sempre fazem a diferença e eles só dependem de nós.

Como deixar um livro no metrô, por exemplo. Dias atrás eu vi no twitter (esse troço vicia) que a Soninha ia "esquecer" o livro "tal" no metrô.

Achei genial. Certa vez eu deixei um livro e um cachecol no metrô. Mas eu esqueci mesmo. Sorte de quem achou.Enfim, eu nunca achei um livro no metrô. Acho que eles são como os guarda-chuvas. Eu já perdi a conta de quantos guarda-chuvas eu perdi e nunca encontrei nenhum. Aonde será que eles vão parar? Deve existir uma Guardachuvolândia. Assim como deve ter a Livrolândia.

De uns tempos para cá, eu reparei em como está cada vez mais fácil e maior o acesso à leitura. Grandes livrarias viraram points cults, como a Livraria Cultura e as megastores da Fnac e Saraiva.

Nas bibliotecas você encontra uma infinidade de títulos grátis à sua disposição. Outro bom lugar para achar raridades é em sebo (fiz uma matéria falando sobre isso). Esses lugares têm uma atmosfera mágica e as prateleiras escondem tesouros esquecidos no tempo. Ah, além de grandes histórias, como a vez em que o dono do sebo me convidou para tomar uma cerveja enquanto ele procurava o livro que eu pedi... Mas esse causo eu conto em outra hora.

Hoje, lojas virtuais como as americanas e o submarino fazem promoções com títulos novos a R$ 10,00 e tem para todos os gostos: literatura nacional, estrangeira, livro espírita, de auto-ajuda, etc. Mas se a sua desculpa é grana, afinal o mundo está em crise e infelizmente as pessoas começam a cortar os gastos nas áreas de lazer e cultura, aqui está uma dica imperdível para ler sem gastar seu rico dinheirinho.

O site Cultvox traz downloads de e-livros grátis, também tem o Livros online e last but not least o tradicional Domínio Público. Agora se o seu perfil é pegar o livro, tatear as páginas e andar com ele debaixo do braço, prepare-se para renovar sua biblioteca pessoal, pois neste domingo, 17 de maio, acontece a Feira de Troca de Livros e Gibis, da Secretaria Municipal de Cultura, no Parque do Ibirapuera, das 10h às 15h.

Lá estarão à disposição diversas mesas classificadas em assuntos, que funcionam como um ponto de encontro para os adeptos de um gênero literário específico. Sem mexer nas suas economias, você leva aquele livro que já leu e troca com os demais freqüentadores. Mas tem um porém, as obras não devem ser didáticos e têm que estar em bom estado de conservação.

Quem perder essa chance, pode comparecer nas outras edições: no dia 7 de julho no parque do Carmo, na região leste; dia 2 de agosto, no parque do Piqueri, na região oeste; dia 13 de setembro, no parque da Luz, na região central; dia 4 de outubro, no parque Cidade de Toronto, na região norte; e dia 8 de novembro, no parque Santo Dias, no Capão Redondo, região sul. Também vale você iniciar a troca agora em maio e seguir trocando até novembro, que tal?

E para quem pensa que brasileiro é preguiçoso e não gosta de ler, eu deixo o link desta coluna do Nelson Motta, no Jornal da Globo, na qual ele diz que o livro 1808, do Laurentino Gomes, vendeu mais do que os CDs da Ivete Sangalo. Viram o paradoxo? Um livro de história vendeu mais do que um CD de axé, em pleno País do Carnaval. E viva a literatura!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Tremendo de Medo

Terror é algo que mexe com a gente, principalmente, porque foge do óbvio. Nada discute tanto o indiscutível quanto o terror, são espíritos, monstros, almas penadas, casas assombradas entre outras coisas sobrenaturais que colocam em xeque alguns dogmas. Esse mundo já fez criações que passaram a existir na imaginação humana, como vampiros, lobisomens e fantasmas.

O assunto acabou sendo levado ao cinema, teatro, literatura e até aos quadrinhos. No cinema o autor Stephen Edwin King, mais conhecido como somente Stephen King, tem dezenas de filmes adaptados de suas obras como o incrível filme O iluminado, 1980, estrelado por nada mais nada menos que Jack Nicholson e dirigido por Stanley Kubrick, esse título é só um deles, você possivelmente já viu alguns desses filmes: “Carrie, a estranha”, “Cemitério Maldito”, "Christine, o Carro Assassino", “Tempestade do Século” e mais recentemente “Quarto 1408”, estrelado por John Cusack, e Samuel L. Jackson.


Foram muitos exemplos de filmes mas os quadrinhos de terror têm tomado um espaço importante no mercado, até nosso autor Brasileiro André Vianco lançou o seu Vampiro do Rio Douro. Temos outros nomes importantes nesse segmento como o Monstro do Pântano e Hellblazer que tiveram o grande Alan Moore como roteirista e fizeram esses nomes serem conhecidos mundialmente.


Stephen não podia ficar para trás e tem sua saga, A Torre Negra, escrita e “quadrinada” da melhor maneira possível, sob os roteiros de Peter David (Star Trek, Incrível Hulk, Aquaman, Wolverine) e arte de Jae Lee (Batman, Homem Aranha, X-Factor, Excalibur).
Abaixo você encontra a sinopse do primeiro episódio do quadrinho que conta os primeiros dias de um pistoleiro num mundo imerso de magia e suspense.

“Num mundo que seguiu adiante, o jovem Roland Deschain um dia será conhecido como o Pistoleiro – mas, por ora, ele é apenas um garoto às raias da idade adulta. Por anos, seu destino foi manipulado pelo feiticeiro conhecido como Marten Broadcloak. Roland finalmente decidiu tomar uma atitude, e o destino do mundo repousa nas conseqüências de seu atos... Testemunhe os primeiros dias da imortal criação do premiado roteirista Stephen King, numa minissérie escrita pelo inigualável Peter David e ilustrada pelos aclamados Jae Lee e Richard Isanove.”

Eu estou colecionando e recomendo!



***** A Torre Negra

Panini - Pelo Selo Marvel Comics

Minissérie mensal em sete edições (Eu já estou no terceiro episódio)
Formato americano
36 páginas
R$ 4,90
Papel LWC
Distribuição nacional

domingo, 18 de maio de 2008

Tradição Oriental

No ano do centenário de imigração japonesa, o que fica presente depois desses cem anos é o espírito de perseverança e luta de um povo que um dia saiu de sua terra natal para tentar a sorte num lugar onde ninguém imaginava dar certo. Tanto deu certo que um bairro em São Paulo vive essa certeza.

O Bairro da Liberdade, que tem esse nome desde 1858, abriga em plena harmonia três diferentes cultural orientais, os Japoneses, os Chineses e os Coreanos que apesar do olho puxado possuem vertentes bem diferentes.
O pitoresco lugar de São Paulo traz entre suas diversas atrações uma feira que funciona aos finais de semana, com gastronomia, artesanato e outras relíquias da cultura oriental. Junto com alguns amigos, sempre fomos um dos freqüentadores da barraca do magnífico Guioza. Para nosso espanto, hoje, ao voltar ao local com o intuito de degustar a iguaria tivemos uma desagradável surpresa? Cadê a tradicional barraquinha?
O Guioza, segundo nossa fonte e profundo conhecedor do assunto, foi, bem nos primórdios, introduzida à culinária pelo povo indonésio, que separava em trouxinhas de massa de arroz pequenas porções de carne de vaca, porco e uma pequena porção de legumes. Isso porque, era um alimento feito para não existir divisão, colocado a disposição em um momento de escassez de comida.
A Dona Yoko Nakamura, veio de Itapecerica para São Paulo há mais de 30 anos, em busca de melhores condições de vida. Aqui ela encontrou a oportunidade que precisava aprendendo sobre culinária e lapidando um dom que fez dela referência. Logo depois de passar por um restaurante, resolveu colocar uma barraca na tão famosa feira da Liberdade para vender e divulgar o Guioza. Pelo menos durante seus primeiros 10 anos só tomou prejuízo, como ratificou Frank Nakamura.
Honorável Frank que viveu praticamente sua vida fechando os tão famosos bolinhos, teve como grande mestra e incentivadora a mãe. Dona Yoko estreitou seus laços com seus filhos, ao manter seus rebentos ao seu lado, formou neles um espírito que vai muito com a raiz daqueles imigrantes que vieram para o Brasil para manter a dignidade de suas famílias. Ensinou princípios e acima de tudo respeito pelas pessoas.
"Eu não vendo só guioza ou nikumanju, eu vendo os fundamentos da cozinha" - falou com propriedade Frank, que aos 30 anos se vê num dilema. Após o falecimento de sua mãe o direito de manter a barraca na feira foi perdido, e as três décadas de história foram colocadas de lado por causa da burocracia das leis municipais.
O que espanta é que uma pessoa que empregava 17 pessoas diretamente, além, de várias outras indiretamente, perde o direito de trabalhar. E na contra-mão você encontra milhares de empresas capitalistas que para se manterem no mercado e baixarem seus custos mandam centenas para o olho da rua e os prefeitos dão seus tapinhas nas costas sempre dizendo que é de uma grande empresa assim que a cidade precisa.
O que a cidade precisa é de gente como a Dona Yoko e o Frank, que tem dignidade e honra, o que a cidade precisa é de alguém que realmente governe.
O jovem Frank não desistiu de seus sonhos e mantem viva a sua origem, em um espaço ao lado do Habib´s, na Avenida Liberdade, 638, vendendo seus deliciosos guiozas e nikumanjus (bolinhos cozidos feitos de massa de arroz com recheios variados, como o de carne de vaca com curry, com sabor bem marcante e agradável. Mas acima de tudo o Frank não troca dinheiro por comida, ele troca laços de amizade com seus clientes, que hoje, tornaram-se amigos.
Perpetuando o ideal passado por Dona Yoko, Frank estabelece laços com as pessoas que o prestigiam na cozinha. As mãos de Frank, marcadas pelos cortes das facas, que simbolizam seu aprendizado na cozinha são a prova de que o mais tradicional guioza paulistano é feito com muita tradição, e acima de tudo, COM TATO, com cuidado e carinho.
O bairro da Liberdade traduz no nome a essência da convivência pacífica de diferentes povos e o respeito pela multiplicidade de culturas e nós, como freqüentadores assíduos deste celeiro cultural fizemos questão de registrar nossa indignação com esta situação revoltante.
Há nove meses um dos representantes da cultura oriental de um evento tão múltiplo perdeu o direito, seu por herança e por mais de vinte anos de trabalho e dedicação, de não apenas vender "bolinhos japoneses", mas de propagar o verdadeiro espírito de honra e tradição, tão marcantes na cultura japonesa e tão invejados por nós, brasileiros sem passado e sem laços de honra com nosso folclore.
Cultura não se traduz apenas em visitar museus, pinacotecas, estantes de literatura e feiras de artesanato das rendeiras no sertão do nordeste. Cada um de nós somos agentes da cultura, nós a propagamos. Portanto, cultura é passar para seus filhos, amigos e familiares os ideais herdados de nossos antepassados, e desta maneira, interferirmos no meio em que vivemos, criando a cultura local na qual todos somos inseridos.
Nossa consternação não ficará muda, porque queremos que a filha de Frank, que virá em agosto próximo, possa perpetuar o legado de sua "Batchan"(Avó em japonês). Queremos que os visitantes da Feira da Liberdade possam conhecer histórias de vida de família de imigrantes japoneses, como a de Frank, e queremos que a história não se encerre com uma tradicional feira de cultura oriental vendendo acarajé, como acontece atualmente.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quando a Vela apagar...

Já se passaram 50 anos desde que o “poetinha” Vinícius de Moraes, soltou a incongruente afirmação de que “São Paulo é o túmulo do samba”. Quem sou eu para contestar Vinícius, mas desde aqueles tempos eu acredito que ele estava equivocado. Veja bem “equivocado”, pois já nos anos 50 tínhamos compositores de primeira categoria, cordões carnavalescos e escolas de samba férteis não só em seus sambistas, mas nos seus sambas. Claro que nada se compara ao Rio de Janeiro daqueles tempos, mas nada que também possa desprezar os sambas que aqui nasceram e ainda hoje sobrevivem.


E para contrariar um dos poetas mais respeitados da música brasileira, hoje podemos estufar o peito e dizer que esta frase de Vinícius é que está enterrada.


Uma prova disso é o Samba da Vela.

A origem da Comunidade Samba da Vela é quase um poema. Melhor, é digna de enredo de escola de samba. Surgiu por iniciativa quatro jovens compositores da periferia de São Paulo, munidos de cavaquinho, pandeiro, tamborim e muita força na voz, que se reuniram no bairro de Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo, para cantar seus próprios sambas e abrir a roda para que novos compositores pudessem apresentar suas criações também.


Aos poucos, mais amigos se juntaram ao grupo e a empolgação, que durava toda a madrugada. Não demorou muito para ganhar um novo protagonista: a vela. Colocada no centro da roda, ela funciona como um relógio, e dita os rumos do encontro, daí o nome do grupo. Enquanto o pavio queima, sambas inéditos são apresentados, mas, quando a vela apaga, o silêncio toma conta do lugar e todos encerram a mostra de sambas.


O conceito desse projeto segue os passos dos sambistas do passado como Candeia, por exemplo, e ajuda a formar idéias, cultura e arte. Tá certo que o samba tem a cara do Rio de Janeiro. No entanto, apesar de todo o glamour do samba carioca, o samba paulista tem sua importância e valor, é por isso que O Samba da Vela, Quinteto Branco e Preto, Eduardo Gudin, Geraldo Filme, Adoniram entre outros merecem nosso total respeito.


Quando a vela se apagar e o samba terminar
Saudade não me deixe ir embora
Meu peito vazio implora
Que uma luz me ilumine agora!
Chora, chora
A comunidade chora, a comunidade chora

A Comunidade Chora
Compositores: Magnu Sousá/Maurílio de Oliveira/Edvaldo Galdino



sexta-feira, 9 de maio de 2008

Eu Google, Tu Google, Ele Google, Nós...

Não faz muito tempo e você não tinha noção do que era a internet, mandava cartas para se comunicar e fazia tudo por telefone. Mas veio a rede de comunicação e uma enxurrada de informação veio com ela.

Em aproximadamente 13 anos, desde os primeiros grandes passos da internet no Brasil muita coisa mudou.

O maior site de busca do mundo se tornou uma das principais fontes de novas criações para o universo virtual. O próximo passo será o que? a Matrix?

É lógico que a evolução é inevitável e que a vida tem que se tornar mais dinâmica, mas meu receio é que aquilo que, teoricamente, deveria facilitar nossas vidas nos sobrecarregue brutalmente.

Já tem alguns dias que o Danilo postou algo sobre o celular e a falta de privacidade. Acho que esse texto seguiria pelo mesmo caminho até refletir melhor sobre o assunto e perceber que a internet tem um lado que o celular não tem: Cultura.

Esses dias ouvi falar de um documentário que se chamava Google Me: The Movie - não sei se vocês sabem, mas nos Estados Unidos a palavra GOOGLE virou verbo, que consta em dicionário e tudo, com significado de: procurar algo na internet. No mínimo incrível! - A película trata simplesmente de algo que muita gente fez, e se você não fez vai fazer depois de ler esse texto, que é procurar seu próprio nome site de buscas.

Após realizar a pesquisa, Jim Killeen, descobriu que existiam 7 pessoas com seu mesmo nome, e resolveu retratar as diferentes vidas dessas pessoas que são interligadas pelas coincidências, e até mesmo pelas diferenças, afinal de contas, são pessoas distintas que vivem em regiões distantes e com culturas diferentes.

O mais sensacional dessa história é que o filme está sendo veiculado no You Tube, site do grupo, que dispõe o filme na integra em seus mais de 96 minutos.

Se você sabe falar inglês fica aqui a dica (literalmente), se não fala, abaixo incluí uma reportagem que vi no Jornal da Globo no dia 06/05 falando sobre a gigante empresa do mundo virtual, sua visão de futuro e seu crescimento.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Filho de Maia, Maiazinho é!

Eu sei que tem muita gente que rejeita os artistas que tem afiliação que os favorece, mas é fato que tem muita gente que o dom é basicamente a genética. Tenho entre meus preferidos nesse quesito Ed Motta, Jair Oliveira, Pedro Mariano, entre outros.

Quando eu fui a uma casa noturna, Grazzie a Dio, na Vila Madalena - bairro paulistano, famoso pelos bares e casas - conheci mais um dos x-men da música: Leo Maia, além do carisma com seu público, como tinha seu pai Tim Maia, possui uma voz potente que faz a diferença por toda a sua performance.

No dia 19, sábado passado, o cantor fez o show de lançamento de seu novo álbum: Cidadão do Bem. Eu compareci e notei o quanto é nítida a influência do soul, com melodias de marcação forte de baixo. O arranjo é cheio de elementos, com muito swing. Me lembra, as vezes, Maxwell em suas músicas mais agitadas.

No novo trabalho existem três regravações: “Baby” de Caetano Veloso, “Como Vovó já dizia” de Raul Seixas e “Eu amo você” clássico da soul music de Cassiano, todas em uma total releitura, dando um ar todo pessoal.

A banda que o acompanha é excelente e podemos destacar o percussionista Marcelo Costa e o guitarrista, violonista e produtor Cássio Calazans, eles realmente fazem a diferença durante todo o espetáculo.

Mas o que me fez realmente passar de ouvinte a fã é a leveza do seu show, regado a momentos mediúnicos, em que o artista tem um insight e faz as donzelas da platéia subirem ao palco para dançarem com ele. E como ele mesmo diz: "Quer dançar? o Leo Maia vai te convidar... Vem minha preta".

Ao final, a impressão que se tem é que o síndico fez um bom trabalho, pois no espetáculo quem não dança segura a criança.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Golpe de mestre

A vida é um tabuleiro de xadrez. Entre as peças que nos pregam e as peças que perdemos, em busca de uma jogada melhor, somos movidos, aparentemente de modo aleatório, sem entender que somos um mero peão, posto gratuitamente na diagonal do bispo, que nunca esteve ali por acaso.

Assim são os fatos em Xeque-mate ou Lucky Number Slevin, título em inglês. Sempre me pergunto por que as traduções nunca têm a ver com o titulo original, mas desta vez o nome em portugues é bem melhor do que o título do filme.

No elenco estão grandes nomes, como Morgan Freeman, Sir (isso mesmo, gente) Ben Kingsley, Lucy Liu, Josh Hartnett e o meu preferido de filmes de bad guy, Bruce Willis. Mas o grande trunfo aqui é, além da direção de Paul McGuigan, o roteiro brilhante do estreante Jason Smilovic.

A trama se desenrola a partir de Slevin Kelevra (Josh Hartnett), um jovem que sofre de ataraxia (filosoficamente falando, ausência de perturbações ou inquietações da mente) e após diversas decepções chega a Nova York para visitar seu amigo Nick Fisher e encontra o apartamento deste vazio. Ao chegar conhece Lindsey (Lucy Liu), uma vizinha simpática, romântica e engraçada. Sem tempo de se ambientar, ou mesmo vestir-se, Slevin é abordado por dois capangas de um poderoso mafioso e, confundindo-o com o verdadeiro Fisher, levam-no para encontrar o “Chefe” (Morgan Freeman), que o encarrega de vingar a morte do filho ao matar o filho do “Rabino” (Kingsley), o mafioso rival. Sem tempo de armar nenhuma estratégia, e sempre observado pela polícia, Slevin é levado ao Rabino, que cobra a dívida de Fisher para Goodkat (Bruce Willis), o bandidão-assassino de primeira. Assim, Slevin está, aparentemente por engano, nas mãos dos dois grandes mafiosos rivais de Nova York.

Eu, como cinéfila amante de citações, ganhei um prato cheio com o filme. É daqueles que você tem que assistir, pela segunda vez, com um bloco de anotações do lado, pausando e colhendo frases para enriqucer o vocabulário de expressões cinematográficas, como estas: “Charles Chaplin participou de um concurso de sósias de Charles Chapline ficou em terceiro. Isso sim é uma história!”; “Eu sou baixa para a minha altura”; ou quando a polícia questiona Slevin sobre quem ele é realmente e obtem como resposta um irônico: “Filosoficamente falando?”

Assim como em um tabuleiro de xadrez, tudo se baseia na Manobra Kansas City, algo como as pegadinhas que fazemos com amigos. Eu explico: se você parar no meio da Avenida Paulista e apontar para o céu, mirando-o fixamente em um ponto qualquer, todos que passarem ao redor vão procurar o “nada” que você está atentamente observando. Bruce Willis define isto como uma estratégia de ação, no caso de um dos grandes assassinos por encomenda.

O filme traz diálogos rápidos, irônicos e divertidíssimos; uma fotografia impecável, com rimas visuais; cenas sem diálogos; cuidados com o enquadramento relatando verdadeiros poemas visuais, dignos de histórias em quadrinhos.

Misture aquela atmosfera surpreendente de filmes de máfia como “Os Intocáveis” com algumas pitadas de sarcasmo das comédias holltwoodianas. Junte falas sagazes a atuações de grandes nomes (Freeman, Willis, Kingsley, atuam com naturalidade e talento impecáveis) e carreiras em ascenção (Liu é deliciosamente hilariante e Hartnett hipotiza com uma ironia despretensiosa). Tudo isso em um ritmo acelerado, prendendo o espectador em cada detalhes revelado cuidadosamente ao decorrer da trama.


Esta é a receita da maior jogada que um bom filme pode armar para o público do cinema. A trama dá um xeque-mate em seus espectadores, aquele ataque decisivo, em que não há qualquer possibilidade de fuga ou defesa, o que implica ao término da partida, ou melhor da sessão de cinema, aquela sensação de “como eu não percebi isso antes?”. Tomara que hollywood produza mais destes roteiros, tão escassos e tão cativantes que fazem duas horas discorrerem como se estivéssemos nos deliciando com um romance policial de Agatha Christie.

domingo, 20 de abril de 2008

O samba do amor do sorriso e da flor

Hoje dia 20 de abril se comemora o dia do disco. Alguns dias atrás neste mesmo blog, publiquei um post falando sobre a trilha de nossas vidas. Não é novidade pra ninguém que sou amante incondicional da música popular brasileira.

Não por acaso, trabalho com pessoas que me possibilitam conhecer um pouco mais esse universo tão encantador. Neste mês de abril fiz uma matéria sobre o show “A noite do amor, do sorriso e da flor”. Para quem não conhece, ou nunca ouviu falar, na anunciação de Ronaldo Bôscoli, foi considerado o primeiro show de Bossa Nova.

Aconteceu no dia 20 de maio de 1960 no anfiteatro da Faculdade de Arquitetura, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Com participações de grandes nomes da nossa música, o destaque e as atenções estavam voltada para João Gilberto, que lançava nas rádios clássicos instantâneos como: Samba de uma nota só, Corcovado, O pato entre outras. Além dele apresentou-se também Nara Leão, Nana e Dory Caymmi, Luiz Carlos Vinhas, Roberto Menescal e Chico Feitosa, e os paulistas na época desconhecidos, Sérgio Ricardo, Johnny Alf, Pedrinho Mattar e Caetano Zama.

Muitos sabiam que o anuncio de Bôscoli era uma resposta a outro show que acontecia no mesmo dia, só que na PUC. Bôscoli e Carlos Lyra vinham se desentendendo desde que Lyra gravou um disco solo com a Philips abandonando os companheiros da bossa. Ate então ante de Lyra pular fora, todos estavam em um projeto de gravar um disco com a gravadora Odeon.

Os dois shows lotaram. Mas foi o pessoal da faculdade de arquitetura que se deu bem. Assistiram um dos maiores espetáculos já feito em nome da bossa nova.

Pegando carona nas festividades dos 50 anos de bossa nova, quero lembrar não só o disco de João Gilberto: O amor o sorriso e a flor, com direção musical de Antonio Carlos Jobim, mas a música que foi considerada divisão de águas na história da musica brasileira: Chega de saudade.

A matéria contando detalhes deste dia será publicada na Revista Almanaque Brasil de Cultura Popular do mês de maio, mas brevemente publicarei no meu outro blog www.ensaiospossiveis.blogspot.com.


quinta-feira, 10 de abril de 2008

O caminho é in, não off.


Lendo o post de Narinha, lembrei-me de um interessante contista brasileiro, Caio Fernando Abreu, ou simplesmente Caio F., como ele assinava. De acordo com o site releituras, “Caio Fernando Loureiro de Abreu dedicou-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.”

Em plena ditadura militar, em 1968, foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), e refugiou-se no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas. Após uma série de reviravoltas, no final de 1974, ele retornou a Porto Alegre, deslocado da rotina do Brasil dos militares: “tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos”. Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida.”

Conheci Caio F. com uma carta atemporal e catalisadora: o texto Carta ao Zézim. Nele, o escritor responde uma série de dúvidas do amigo, o também jornalista, José Márcio Penido, e nela relata a criação do livro "Morangos Mofados", fala de sua admiração por Clarice Lispector e Dalton Trevisan e estimula o amigo a escrever.

Justamente esta parte do estímulo a escrever foi o que me motivou a participar deste blog e a estabelecer, cada vez mais, contatos com tato. Abro um parêntese: tato, vernáculo que, segundo o Houaiss, designa o sentido pelo qual se conhece ou percebe; prudência; tino; sutileza e sensibilidade para se expressar. A palavra tato vem do latim (língua adorável) que significa tangère, ou tocar, no sentido físico e moral, transitivo e absoluto.

Sinto-me, de fato, tocada sempre que escrevo algum post, pois imagino que este texto pode, também, tocar a todos vocês. Interagir e interferir na vida de algum leitor desavisado, na maneira como esta pessoa percebe a vida. Ele toma asas e deixa de ser meu para pertencer a todos aqueles que o roubam para si, tirando-o desta rede virtual cibernética e sem fronteiras.

Voltando a Caio, na Carta ao Zézim ele diz:
“Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai andar”.”

“Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? Danem-se, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo?"
"Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.”

Assim como Caio, “escrevendo, eu falo pra caralho, não é?!”

Então, confira aqui, a íntegra do texto e descubra o que motiva esta jovem moça que vos escreve a fazer comtatos com você, leitores deste singelo e apaixonado blog.

domingo, 6 de abril de 2008

It´s only rock and roll, but I like It!

Você se imagina fazendo o que faz quando tiver seus 60 anos?
Esta pergunta ,que muitos de nós teríamos dúvidas ao responder, não intimidou Jagger, que prontamente disse: “Facilmente!”, em uma entrevista a Dick Cavett, em 1972.

Isto é mais do que simplesmente gostar do que faz, é ter a plena certeza de que aquilo o realiza por completo. Isso é o que os Rolling Stones mostram no palco: energia pura, acumulada desde os anos 60 até hoje.

Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood exibem mais do que rugas, cabelos brancos e peles flácidas, o que se vê no palco é puro rock and roll. E todo o espírito do rock e dos Stones é traduzido nas telonas por Martin Scorsese, famoso diretor de cinema, vencedor do Oscar de melhor diretor em 2006 com o longa Os Infiltrados (excelente, por sinal).

A platéia da apresentação nova-iorquina é ilustre, entre os animados fãs estão o ex-presidente Bill Clinton, sua mulher e atual pretendente ao cargo de presidente pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, sua sogra e vários de seus parentes.

O documentário Rolling Stones - Shine a Light, se baseia num grande show no Beacon Theatre em Nova York, na turnê A Bigger Band. O filme também traz entrevistas antigas da banda misturadas a algumas cenas de bastidores. Sem esquecer do ego do Scorsese presente como diretor e amigo, posando de figurinha cult na cena de rock, à la Tarantino.

Mas quem entra na sala de cinema para assistir ao concerto sai das poltronas muito mais fã dos Stones que do Scorsese. Sem nada a dizer a presença do diretor é exagerada, podendo ser resumida apenas às piadinhas de queimar o vocalista. Fora isto, dois terços das participações especiais poderiam ter sido excluídas.

É fato que os Stones é uma banda sessentona e suas músicas conquistam gerações e gerações. Portanto, os caras não precisam de apelos pop para garantir público, tais como Christina (falsete na voz )Aguilera e Kelly Osbourne... Opa, confundi, digo, digo, Jack White. Agora, essencial foi a canja de Buddy Guy (foto), blueseiro de primeira que travou um autêntico duelo com Jagger, Guy na guitarra e o bocudo na gaita, cantando Champagne and Reefer, canção que levantou os gringos da platéia.

Na voz e nas performances de Jagger, a galera não para de pular com os grandes hits dos Stones, como Brown Sugar, Start me Up, Shine a Light e Simpathy for the Devil, aliadas ao charme do guitarrista Keith Richards (véio fofo!) arriscando-se nos vocais em You Got the Silver e Connection.

Para os fãs, o documentário Shine a Light é imperdível. Para os que ainda não conhecem os Stones é lição de casa, além de ser um programa que garante a diversão e o valor do ingresso. Aumentem o volume e let´s rock, guys! Afinal, certos caras já provaram que "pedras rolantes não criam limo".



Fora do Esquemão


O fluxo natural das coisas as vezes nos prega peças. Você planeja um final de semana inteiro e dá tudo errado, pra melhor. Na contra-mão do filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild), a solidão foi o que ele procurou, meu final de semana foi cheio de encontros e de reviravoltas. Reencontrei amigos, conheci alguns novos, além de ter a possibilidade de fazer boas fotos para o blog na reportagem do café, que em breve estará no ar.

O que Christopher McCandles procurou por toda a sua vida? o perdão por erros que ele não cometeu, e para isso se manteve em total isolamento das pessoas mais próximas e rodou a América do Norte carregando um fardo que o corroía por dentro: a mediocridade dos pais que se uniram num erro e fizeram seus filhos amargarem esta união instável. O protagonista, dotado de uma sensibilidade ímpar para assuntos ligados a relacionamentos, parece compreender muito bem o que os motiva, mas prefere ignorar esse fato e se punir buscando uma verdade que ele já sabe.

Sean Penn estava inspirado por fazer um filme despretenciosamente bom e com um nível filosófico elevado para a maioria dos campeões de bilheteria, talvez esteja aí o sucesso do longa metragem que está em exibição na Sala 1 do Cine Bombril. Filas cheias, na sua maioria mulheres, mas vemos muitos homens se rendendo a sutileza do filme ao tratar assuntos que são pouco discutidos na tão falada era da informação.

E é nesta era que um homem rompeu essa barreira e foi parar no Alasca, sozinho à margem de qualquer contaminação da nossa alma capitalista. Viver apenas pelo necessário, comer, respirar e vislumbrar um mundo que escapa das nossas vistas diariamente.

A fotografia é magnífica, e toda ela imersa na voz de Eddie Vedder, que faz boa parte da trilha sonora. Emile Hirsch está num bom momento e atua com muita veracidade no personagem Alexander Supertramp, nome do espírito aventureiro de Chris. O filme merece ser visto e discutido, pois fala do mal do mundo moderno: a solidão.

Pelos momentos que vivi nestas últimas semanas fica claro que eu tive mais sorte em descobrir que a felicidade só é completa quando compartilhada.

E viva os Centros Culturais!
**** Referências ****
Na Natureza Selvagem
(Into the Wild)
Gênero: Drama
Tempo: 140 min.
Estrelando: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Brian Dierker, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart, Hal Holbrook, Dan Burch e Joe Dustin
Dirigido por: Sean Penn
Produzido por: Art Linson, Sean Penn, William Pohlad
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

domingo, 23 de março de 2008

Um pouco de tudo que vi ...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar...

Para quem sentiu minha ausência nesses últimos dias os versos de Cartola e Candeia explicam. Estou por ai a procurar coisas novas.

A última que encontrei foi um trabalho de um pessoal bem bacana que ousa a fazer o que pouca gente tem coragem. A idéia surgiu entre amigos, assim como este Blog, e tem dado frutos bem bacanas.

A receita está na descrição do site chamado Música de Bolso. Lá eles unem musica e cinema com canções gravadas em locais inusitados. Você já imaginou Arnaldo Antunes tocando um violão dentro de um buraco? E a Mart’nália tocando e andando pelos corredores de um de hotel? Pois bem, eles fizeram isso.

A idéia é ótima e o trabalho muito criativo.

Esse é só um dos meus achados....

Antecipando as novas mudanças de COMTATOS, toda terça feira passo a relatar novas notícias desse mundo sem fim.

Até mais,

sábado, 22 de março de 2008

Antes de Assistir

Qualquer um ficaria chateado, sem vontade de cantar uma bela canção, mas não os personagens de Antes de Partir. Filme que conta com a presença ilustre de Jack Nicholson e Morgan Freeman.

Esta boa película começa quando Edward Cole (Jack Nicholson) é internado as pressas e descobre que tem câncer, passando a dividir um quarto com Carter Chambers (Morgan Freeman). A grande ironia do filme é que Edward é um milionário administrador de hospitais e passa a repartir o leito pois segue uma condição prioritária em cada negociação por um novo empreendimento: "dois leitos por quarto, nunca menos".

Ao descobrirem que lhes restam poucos meses de vida resolvem aproveitar a vida seguindo uma lista que Carter havia aprendido anos atrás, que fazia referência a desejos que você gostaria de realizar durante a sua vida.

O filme segue muito bem, e tem fascinantes atuações. O sentimentalismo que poderia tomar conta do todo é bastante abrandada pelo sarcasmo do personagem de Jack.

Enquanto assistia muita coisa passou pela minha cabeça, como por exemplo: se realmente é necessário dinheiro para ter a felicidade por perto; se é possível viver sem amizade; se é possível mostrar a dignidade de uma vida pelo superficialismo que transmitimos.
E essa é a grande sacada do filme, falar sobre um assunto polêmico de uma forma bem humorada, contextualizar com a amizade de duas pessoas que numa outra situação nunca se conheceriam (um homem branco muito rico e um negro pobre). A suavidade dessa amizade é contornada pelas alfinetas desferidas um pelo outro. Ao final de uma jornada os dois colhem frutos e se tornam pessoas melhores que antes, como o que se espera da convivência com qualquer amigo.

Na semana passada fui a uma palestra que falava sobre desenvolver seus sentimentos e vivê-los com inteligência, e algo que estava em ascensão em todo o discurso é que se você tem a oportunidade de fazer alguma coisa que te faça sentir bem, então faça!

Essa filosofia alinhava bem com o enredo do filme, afinal de contas, vale mais a pena errar do que se arrepender por não ter tentado, pode ser clichê mas tem funcionado durante muitos anos.

Antes de Partir
(The Bucket List)
EUA, 2007 - 97 min
Drama / Comédia
Direção:Rob Reiner
Roteiro:Justin Zackham
Elenco:Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd, Rob Morrow

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Sarcasmo no receituário


Há quem diga que excesso de sinceridade é grosseria. Sendo assim, diversas pessoas diluem a dose de veracidade e moderam o linguajar ao se expressar. É como diz o velho ditado chinês: “Se precisar disparar a flecha da verdade, primeiro molhe a sua ponta no mel”. É assim que acontece com todo mundo, certo?
Errado. O seriado House mostra exatamente o oposto do modelo ideal de convívio social.

O personagem principal da série é o grande filho da puta, digo, hilariante Dr. Gregory House, interpretado pelo ator Hugh Laurie (aquele que fez o pai do ratinho Stuart Little nos cinemas, lembra? Incrível, não?!)

House é um médico um tanto amargurado, rude e muitas vezes até cruel, mas nenhum destes adjetivos tiram o talento e o reconhecimento de ser o melhor médico do hospital (ou do mundo), o que o torna digno do respeito e da admiração de todos.

O “cretino” Dr. House tem como confidente o amável Dr. James Wilson, um tipo de anjinho conselheiro, interpretado por Robert Sean Leonard, ator de Sociedade dos Poetas Mortos. Wilson é um especialista em oncologia que sempre aconselha House quando o encapetado médico se depara com alguns dilemas.

A equipe de médicos comandada pelo Dr. House é formada pela imunologista Dra. Allison Cameron (Jennifer Morrison), pelo neurologista Dr. Eric Foreman (Omar Epps, de “ER”), e pelo Dr. Robert Chase (Jesse Spencer). House é um médico que faz qualquer coisa, e até extrapola certos limites, para salvar a vida de seus pacientes, e por isso conquista tantos admiradores.

Mas o que faz a série House roubar a cena é o sarcasmo ácido com o qual o Dr. Gregory House trata os seus pacientes, amigos, subordinados e até mesmo a chefe do hospital, a Dra. Cuddy.

Já imaginou chamar a chefe de egoísta e se negar a preencher formulários porque esta com preguiça? Pois bem, House faz isso com a naturalidade de quem diz “com licença”, “por favor” e “obrigada”.

House faz o que qualquer um de nós tem vontade de fazer quando está sem paciência para lidar com situações chatas. Ele dá respostas irônicas a todo o momento, seja para quem for. Ele provoca a todos gratuitamente só para massagear o enorme ego que tem. E ele se diverte muito com isso. Dr. House, é solitário, injusto, grosso e teimoso, mas isso é apenas uma atitude de auto preservação. Mas, afinal, o que House procura?

Ele responde:
- Amor, carinho, atenção, rendimentos bancários...

Às vezes eu tenho inveja desse cara. Ele é um cara como qualquer um de nós, o detalhe é que ele vive sem medo de ousar, não engole sapo de ninguém, é autentico e usa a tolerância zero em doses cavalares diariamente.
Ver um episódio de House é ter uma aula de sacadas irônicas e frases de efeito (artimanhas eu adoro), além de ser hilariante. Muito diferente da maioria das series de tv (das quais eu nunca fui muito fã), cheias de desavenças de amor, lágrimas e desencontros, House tem um roteiro inteligente e personagens interessantes, que acima de qualquer circunstância se toleram e se ajudam, mesmo sendo sacaneados uns pelos outros, e principalmente pelo admirável chefe turrão.

Abaixo um video irreverente do Hugh palhaço Laurie




terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Boogie´n Roll

Na sua festa de Natal tinha que tipo de música? Na minha, ainda bem, tinha Funk e R&B americano. Calma, que esse funk nada tem a ver com o bonde do Tigrão, ou a dança da motinho. Eu ouvia de James Brown a Imagination, passando por Barry White. Minha infância foi influenciada musicalmente pela famosa fase Disco da década de 70, que eu, por motivos óbvios, não pude vivenciar.
Os anos 70 influenciaram muita gente, principalmente por causa de um filme que John Travolta estrelou, e que é um ícone cinematográfico, OS EMBALOS DE SÁBADO A NOITE (Saturday Night Fever, 1977).
Jamiroquai é uma das bandas que tem um pé na Boogie Wonderland, tem forte marcação de baixo e completa o arranjo com muitos elementos sonoros, que lembram uma mistura de KC and Sunshine Band e Chic. O grande Ed Motta, que sou fã, já disse que foi influenciado por Earth Wind and Fire.
Preciso lembrá-los e aproveitar pra puxar a sardinha pra minha preferida: Earth Wind and Fire vem para o Brasil e faz um show nesta sexta-feira na Via Funchal. Essa banda que você pode nunca ter ouvido falar tem sucessos como September e Let´s Groove, que você também não deve fazer a mínima idéia do que seja, mas se você ouvir vai saber na hora. Começou em 1969 e até hoje coleciona alguns bons números: 80 milhões de disco vendidos, ganhou 40 Music American Awards, 7 Grammys além 22 indicações ao mesmo prêmio. Esta era teve algumas características muito marcantes que são muito visíveis na atualidade: Calça boca de sino, passinhos na pista de dança, cabelos Black power... Os bailes tomaram grande proporção nessa época, e se você vai à Vila Olímpia hoje deveria agradecer a esses caras. Aposto que se nada disso tivesse acontecido ainda iríamos a algum clube para ouvir Ray Conniff e sua orquestra. Sendo assim, algo mudou depois da Disco Music.
Sou Roqueiro convicto, mas em minhas veias correm muita música negra.